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Crítica: Apenas o Fim, de Matheus Souza

Desde a retomada do cinema nacional na metade dos anos 90 parece haver dois caminhos principais a serem seguidos por nossos cineastas: emplacar uma produção da Globo Filmes, a qual geralmente vem acompanhada de pesada campanha de marketing; e as produções voltadas para festivais, vide os filmes de Walter Salles Jr. ou Heitor Dhalia. Apenas o Fim (Brasil/2008), longa de estréia do diretor Matheus Souza e resultado de um projeto de estudantes do curso de cinema da PUC-Rio, cativa exatamente por explorar um filão do público que poucas vezes se sente acolhido pelas produções brasileiras.

O filme acompanha, de forma despojada, o fim de namoro entre dois universitários. O roteiro é conduzido de forma bastante cadenciada, onde os diálogos são o ponto forte; a impressão que fica é que os personagens vividos por Gregorio Duvivier e Erika Mader são nossos amigos, talvez até se assemelhando com alguns deles. A química entre Duvivier, ator bastante competente e advindo da cena stand-up comedy carioca, e Erika, bonita como sempre mas apenas razoável no papel da garota pseudo-rebelde, contribui bastante para que haja imediata empatia por parte do público.  Nos é apresentado um relacionamento jovem, ou o fim dele, calcado na realidade e distante dos arroubos de ressentimentos e mágoas exageradas, tão impregnados no senso comum de um público acostumado, em sua maioria, a narrativas convencionais e novelas.

A conversa que permeia o término do namoro é intercalada por flashbacks de momentos íntimos do casal. São esses momentos, particularmente, que funcionam como um retrato da juventude urbana atual; que devido à expansão de uma sociedade fortemente embasada na troca de informação, seja ela analógica ou digital, desde cedo teve acesso a um caldeirão de elementos da cultura pop, partindo do mais longínquo retrô e chegando aos ultra-efeitos visuais de Transformers (o filme de Michael Bay). São esses detalhes, a maneira como se dá pouco a pouco interação entre as pessoas e o conhecimento, e entre elas mesmas, que definem a forma de pensar, agir e relacionar-se de uma geração.

Uma pequena sequência metalinguística destoa do conjunto, e o filme poderia passar bem sem ela. No entanto, este pequeno defeito nem de longe consegue tirar a boa impressão que a primeira obra de Matheus Souza deixa. Se com pouco dinheiro, porém cheio de boas idéias e criatividade para superar os contratempos, Matheus consegue entregar um produto de qualidade, imagine com um orçamento mais recheado. Aguardemos.

Notas (numa escala de 0 a 5):
– Imagem: 5 (projeção digital)
– Som: 4
– Geral: 4

*O filme foi visto em projeção digital, no Espaço de Cinema (Grupo Estação), Rua Voluntários da Pátria, 35, Botafogo, Rio de Janeiro.

**Imagens retiradas do site oficial do filme.

12 Respostas

  1. Fiquei instigada para ver esse filme! Bjussss…

  2. É eu to loko para ver esse filme já tem uns dias, mas como aqui não tem cinema do grupo estação, acho que vou ficar na vontade, pelo menos por um tempo.

    Bela critica

  3. agora to afim de ver o filme
    rs
    abraços

    http://bananadae10.blogspot.com/

  4. agora to afim de ver o filme
    rs

    belo blog

  5. Também tou a fim de ver… Mas confesso que achei as atuações meio fraquinhas pelo trailer.

    Mas vamos dá um desconto. É o primeiro filme do garoto… Não dava pra chamar um Selton Mello da vida (até porque ele já passou da idade pra esse tipo de papel rs).

    Ótima crítica, Fábio.

    Abraços!

  6. Ótima crítica! Eu ouvi falar desse filme, ta bem na cena underground, realmente, pouco merchandising em cima dele.

    Fábio, parabéns pela primeira crítica! Parabéns!

  7. Concordo completamente com você. A forma como o filme retrata uma parcela jovem da população brasileira é incrível, e achei perfeita a imagem do casal que acima de tudo é amigo, em uma relação divertida e mais próxima da realidade do que filmes melosos herdeiros do romantismo.
    Só não acho que a sequência do filme dentro do filme tenha sido tão ruim como falaram…

    http://www.moviefordummies.wordpress.com

  8. Então Fly, o carinha, Gregorio Duvivier, até que é competente. Mas a Erika Mader é bem fraquinha mesmo. Mas até que do meio pro final eles se entenedem bem e conseguem entregar atuações razoáveis. Preferi a Erika no Mandrake, rsrs

  9. Opa Leka, a sequência realmente não é tão ruim, mas achei um pouco desnecessária e forçada, especialmente a parte com o Marcelo Adnet…

  10. Muito boa análise!
    Já está na minha lista de filmes a ver xD
    Abraços

  11. A metalinguagem não me incomodou. No mais concordo plenamente com a crítica. Achei o filme realmente muito bom e um retrato inigualável da minha geração. Tenho certeza que é um filme que vou re-assistir daqui a muitos anos e vou pensar que estou assistindo o filme da minha própria juventude.

  12. […] Crítica de Apenas o Fim (Por Fábio) […]

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