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Crítica: A Lenda de Beowulf, de Robert Zemeckis

photo_19_hiresDentre os pupilos de Steven Spielberg durante a década de 80 do século passado, Joe Dante, Robert Zemeckis, Barry Levinson e Tobe Hooper, aquele que aparentemente conseguiu fazer de forma correta o dever de casa foi Zemeckis. Assim como Joe Dante, Zemeckis conseguiu entender e expandir o conceito de cinema-espetáculo propalado por Spielberg e implementar o cinema fantástico como carro chefe de sua carreira; porém em escala muito maior, e mais lucrativa. Basta observar a seqüência de projetos pelos quais foi responsável, começando pela excelente trilogia De Volta Para o Futuro, iniciada em 1985 e amada por nove entre dez adolescentes da época; e passando por sucessos de bilheteria e crítica, como Forrest Gump – O Contador de Histórias (1995), a arrojada ficção científica Contato (1997), baseada no livro homônimo do cientista pop Carl Sagan; e Náufrago (2000).

Portanto, não é novidade que um diretor visionário procure explorar novas formas de contar histórias, como ocorre em A Lenda de Beowulf (Beowulf /EUA /2007), filme que recorre a técnicas de animação conhecidas pelos profissionais que atuam no campo da realidade virtual, onde os personagens são criados a partir do sensoriamento eletrônico dos movimentos dos atores, e posteriormente modelados digitalmente. Zemeckis já havia adotado semelhante procedimento em seu filme anterior, O Expresso Polar (2004); no entanto, decorridos três anos até o lançamento de Beowulf nos cinemas, pode-se perceber os avanços tecnológicos promovidos no mundo da animação por computador.

A história se apropria do folclore de países nórdicos, onde o guerreiro Beowulf toma para si a função de eliminar o gigante Grendel e sua mãe demoníaca, que aterrorizam uma vila dinamarquesa. No elenco estão Ray Winstone, Robin Wright Penn, Anthony Hopkins, John Malkovich, Brendan Gleeson e Angelina Jolie.Photobucket Tanto as críticas americana como brasileira foram um tanto quanto duras com o longa, alguns até reclamando do caráter pueril do filme. Entretanto, há diversas qualidades, e defeitos que podem ser ignorados, dado o tipo de entretenimento a que o filme se propõe. Há boas dublagens, em especial a de Ray Winstone como Beowulf, bastante enérgica, imperativa e sarcástica, assim como exige o personagem; e a de Anthony Hopkins, como o rei Hrothgar. Apesar de alguns diálogos desnecessários e até um pouco bobos, o roteiro de Roger Avary e do mago dos quadrinhos modernos Neil Gaiman se sustenta até o final, e de certa forma prende a atenção de espectador.

O ponto culminante do filme, entretanto, reside nas qualidades técnicas. Há pelo menos duas ótimas seqüência de ação muito bem desenvolvidas, atestando a evolução em termos de software de criação; e a ótima edição sonora, característica esta que tem sido uma constante nos filmes de Zemeckis. Estes pontos fortes foram explorados nas exibições nos cinemas, quando houve sessões em terceira dimensão, numa época em que a tecnologia Real-D ainda engatinhava no Brasil, e nos Estados Unidos salas IMAX exibiram o filme; realçando ainda mais a experiência do cinema como um grande espetáculo, fato já tratado no início. Quanto aos aspectos negativos principais, pode-se citar a péssima dublagem de Angelina Jolie, que parece reviver o sotaque esdrúxulo que usou em Alexandre, de Oliver Stone; e por incrível que pareça, a sensação de que nem tudo está perfeito proporcionada pela animação. Apesar dos grandes avanços já citados, ainda não se pode afirmar que há um nível de excelência na representação de elementos orgânicos, como determinados movimentos de seres humanos. Também há clara dificuldade na criação de alguns seres fantásticos, como o gigante Grendel, que é sempre representado em cenários escuros e em cortes rápidos, artifício largamente utilizado quando se quer esconder imperfeições ou restrições técnicas do processo dePhotobucket animação, exatamente como ocorreu na trilogia O Senhor dos Anéis. A desculpa é que se pretende criar o sentimento de medo e angústia…

A Lenda de Beowulf é um filme que diverte em alguns momentos; uma opção para os amantes do cinema fantástico, e para aqueles que pretendem manter-se antenados em novas e diferentes maneiras de se fazer cinema. Porém, não se deve esperar uma obra seminal nem para o cinema de fantasia nem para o gênero da animação digital, como muitos esperavam.

Notas (numa escala de 0 a 5):

– Imagem: 4.5

– Som: 5

– Geral: 3

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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3 Respostas

  1. Concordo com praticamente tudo que você falou. Achei um bom filme, me rendeu algumas horas de entretenimento, mas só não sei se assistiria novamente.

    Ah e só uma observação:
    Nessas animações, as vozes originais não chegam a ser dublagens “de verdade”, já que os atores gravam antes, e depois os desenvolvedores que sincronizam a animação com as vozes gravadas.

    Portanto, eu considero essa falha da Angelina, que você falou, sendo mais como de atuação do que de dublagem.

    Ótimo texto.
    Abraços.

  2. Agreed, hehe

  3. com todo respeito: Eu prefiro muito mais o original…

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