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Fanfic: Batman Resigns – Última Parte

BATMAN RESIGNS

Capítulo XIII

“Eu te fiz… Mas você me fez primeiro!”.

Batman fazia tudo possível para permanecer grudado à aeronave, Gotham City sendo projetada metros e mais metros abaixo de si. Ao ver os arranha-céus do centro de distanciando e calculando que o helicóptero tomava a direção noroeste, logo concluiu que Coringa provavelmente se dirigia à zona industrial da cidade. Lá teria palco a batalha final entre os dois. O embate definitivo entre bem e mal, ordem e caos.

Àquela imensa altura, Wayne voltou a sentir-se extremamente só, refletindo sobre toda aquela situação. Com o vento fazendo sua capa ondular, analisou novamente todo o plano executado pelo Príncipe-Palhaço do Crime aquela noite e convenceu-se que o real objetivo era mesmo permitir que ele e Batman resolvessem sozinhos e sem intromissões os assuntos pendentes que ainda possuíam entre si.

Desta vez não haverá reféns, Coringa… Nem sobreviventes!

A altitude da aeronave começou a diminuir. Pousaria dentro de poucos instantes. Olhando para baixo, o Cavaleiro das Trevas viu que se dirigia rumo a uma vizinhança de ruas perigosas e fábricas abandonadas, local perfeito para um confronto derradeiro. Batman respirou fundo, o chão nu de um terreno baldio chegando cada vez mais perto de seus pés…

Assim que o helicóptero atingiu uma altura segura para um salto, o justiceiro soltou a lataria e pousou sem problemas em terra, ocultando-se rapidamente atrás de uma pilha de canos de concreto próxima. Escondido de tal maneira, viu o veículo aéreo concluir a viagem, o motor sendo desligado e as hélices aos poucos parando de girar. Segundos mais tarde, Coringa saiu tranqüilamente, suas roupas e chapéu roxos sempre lhe dando aspecto aterrador. Assoviando, o psicopata partiu caminhando até uma indústria desativada perto dali. Batman aguardou um certo tempo para que tomasse distância do inimigo e então passou a segui-lo discretamente, disfarçando-se em meio às abundantes sombras do lugar.

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O vasto campo situado nos fundos da propriedade de Bruce Wayne. Wilfred caminhava solitário pela grama, parando diante do túmulo de seu irmão. Tomado de grande emoção, lágrimas nos olhos, o empregado lembrou-se de como ele, Alfred e a doce Margareth, mãe de Barbara, costumavam ser uma família feliz e unida. Pesaroso, porém sem se arrepender de coisa alguma, deduziu faltarem poucos segundos para a caverna explodir. Desejou apenas que, se ainda fosse possível, Batman trouxesse de volta Elizabeth viva…

A contagem regressiva terminou, uma bola de fogo oriunda do subsolo fazendo toda a terra ao redor da mansão tremer. Enquanto Wilfred via parte do solo perto de si rachar, a secular residência dos Wayne, incapaz de resistir ao abalo conforme o previsto, desmoronou numa imensa nuvem de poeira. As paredes ruíram como uma fileira de peças de dominó, parte da estrutura afundando dentro do que havia sido a Bat-caverna. Os animais desesperados do estábulo, cujas portas foram deixadas abertas pelo mordomo, saíram a galopar livres pelos campos. E era exatamente esse o sentimento que melhor traduzia tudo aquilo: liberdade. Tanto para Bruce quanto para si.

Mas de repente Wilfred sentiu uma insuportável dor em seu peito, como se um milhão de adagas o tivessem transpassado simultaneamente. Gemendo, não pôde continuar de pé, caindo sobre a relva no auge do sofrimento. Uma de suas mãos amparou-se na lápide de Alfred e, conformando-se com aquela amarga e infeliz ironia, o irmão do indivíduo ali enterrado murmurou, mal podendo abrir a boca:

–       Oh, quão apropriado…

Os dedos largaram a pedra, o braço despencou para unir-se ao resto do corpo subitamente imóvel. A expressão facial suavizou-se lentamente, como se, depois de toda aquela dor, Wilfred agora contemplasse com seus próprios olhos o Paraíso…

Infarto fulminante.

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Os passos determinados de Batman o conduziram até o interior da fábrica. Ninguém entrava ali há anos, o maquinário estava imerso em pó e teias de aranha. Pelo chão em péssimo estado havia poças de água parada, em algumas delas se proliferavam larvas de mosquitos. Ratos corriam pelos corrimões e beirais, um terrível odor de mofo sendo emitido por tudo ali dentro. O herói sombrio olhava em volta buscando algum sinal do Coringa, até que ele a encontrou…

Elizabeth, trajando apenas lingerie rasgada e tendo a pele muito pálida, estava caída de olhos fechados junto a uma parede, um cano do qual pingava água suja molhando-a junto com o piso. Desesperado, Batman correu até a noiva, porém ao aproximar-se, a visão tornou-se ainda mais macabra: o rosto era uma das únicas partes intactas do corpo da jovem, sendo que todo o resto estava coberto de perfurações feitas por lâmina, através das quais escorrera praticamente todo seu sangue… Havia de fato sido esfaqueada quase cem vezes, alguns cortes tão fundos que atingiram até os ossos, e os pulsos machucados revelavam que ela antes estivera fortemente amarrada. Bruce, desnorteado, tentou reanimar a amada, mesmo sabendo que era de todo inútil:

–       Elizabeth, acorde… Por favor, fale comigo!

Ele abaixou-se e tomou a massa sem vida nos braços, acariciando o rosto da lady como se assim pudesse fazê-la abrir os olhos e sorrir meigamente. Porém teve de aceitar que ela havia morrido, que chegara tarde demais… A dor da perda retornou fortíssima, flagelando cruelmente seu coração. Começou a chorar sem qualquer tentativa de se conter, suas lágrimas quentes pingando sobre o cadáver gelado.

–       ELIZABETH!!!

Após o grito angustiado, o pranto do Cavaleiro das Trevas prosseguiu baixinho, aparentemente livre da visão alheia dentro daquela construção largada às traças. Mas alguém presenciava seu sofrimento, e vê-lo em tamanha miséria causava-lhe prazer indescritível. Permanecera em silêncio durante vários instantes, entretanto não conseguiu mais se reter e desatou a gargalhar, a risada demoníaca ecoando por todos os lados. Batman levantou-se. Era hora da vingança.

–       CADÊ VOCÊ, MALDITO??? – o Morcego bradou a plenos pulmões. – APAREÇA!!!

A gargalhada continuou, sem que Wayne ainda conseguisse identificar de onde vinha. Tinha a impressão de que ela partia de todas as direções, como se mil Coringas o encurralassem ao invés de um. Soluçando, o ex-noivo de Elizabeth deu alguns passos em círculos, e sem demora escutou seu arqui-rival finalmente falar:

–       Estamos quites, Bruce! Eu matei sua mulher e você matou a minha!

–       Eu não matei sua amante, Coringa! Ela se suicidou para protegê-lo, sem saber que participava de uma farsa armada por você! A pobre coitada confiou cegamente num louco e foi traída por ele! Você dá um nome ruim ao amor…

–       Ah, sou eu quem dá um nome ruim ao amor? – indagou o maníaco cheio de sarcasmo. – Pois se olhe no espelho, meu amigo: todas as pessoas que se envolvem com você acabam mortas! Seus pais, Barbara Wilson, e agora Elizabeth! Não é capaz de amar nenhum ser humano sem botá-lo em risco!

–       Do que está falando, desgraçado? Você matou meus pais e minha noiva a sangue frio! Não passa de um assassino inescrupuloso incapaz de sentir remorsos! Você não sabe o que é o amor, Coringa, nunca saberá! E é por isso que precisa morrer!

–       É aí que você se engana, Bruce Wayne… Já amei muito uma pessoa. Mais do que pode imaginar. Eu a perdi inesperadamente, e você não faz idéia do quanto tem a ver com isso…

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A recepção e os corredores do Hospital Memorial de Gotham City estavam extremamente movimentados. Médicos e enfermeiros perambulavam para lá e para cá, pacientes eram empurrados em macas e cadeiras de rodas… Todos estavam tão atarefados que mal perceberam quando um rapaz entrou no prédio junto com uma garota que parecia sofrer muita dor. Sua saia estava manchada de vermelho, suas pernas tremiam sem parar.

Aturdido, o jovem que a acompanhava debruçou-se no balcão da recepcionista, dizendo a ela com grande desespero:

–       Moça, minha irmã sofreu uma tentativa de estupro e foi esfaqueada! Ela está grávida, sente muitas dores e pode acabar perdendo o bebê! Precisa ser atendida imediatamente!

–       Um momento, por favor – respondeu a funcionária, que falava ao telefone. – Qual é o seu nome?

–       Jack, Jack Napier.

–       Aguarde apenas um pouco, Jack. Verificarei quais médicos podem examiná-la.

Napier assentiu e voltou para junto da irmã, que se sentara num dos poucos lugares vagos do local. O rapaz tentava de tudo para aliviar o sofrimento da gestante e fazê-la confortável, mas era difícil. Ela tinha de ser medicada antes que o pior acontecesse.

Minutos depois, a recepcionista chamou Jack com um gesto. Ele aproximou-se do balcão e ouviu-a informar:

–       O doutor Thomas Wayne atenderá sua irmã agora. Pode levá-la ao primeiro corredor à direita, terceira porta.

–       Muito obrigado, moça!

Em seguida Napier conduziu a irmã até o lugar indicado, sentando-a sobre uma maca enquanto aguardavam a chegada do doutor. O rapaz segurou as mãos dela e sorriu-lhe, dizendo sem usar palavras que tudo ficaria bem. Desde que o pai dos dois fora embora de casa e a mãe se entregara ao alcoolismo, eles tinham apenas um ao outro. E Jack não queria perdê-la de jeito nenhum. Se isso ocorresse, estaria sozinho no mundo.

Esperaram por certo tempo até que ouviram vozes masculinas discutindo no corredor:

–       Eu não posso atender mais ninguém, Foster, já estou atrasado para a festa de aniversário do meu filho Bruce! Hoje ele completa oito anos!

–       Mas eu não posso cuidar disso sozinho, doutor Wayne! Sou inexperiente!

–       Tenho certeza de que aprendeu bem comigo, meu jovem – Thomas riu. – Agora preciso ir. Boa noite.

Seguiram-se passos, e logo depois um médico recém-formado chamado Kenneth Foster adentrou a sala, examinando a irmã de Jack sem perder tempo. Instantes mais tarde o doutor encaminhou-a para a cirurgia, pois talvez ainda houvesse chance de salvar o bebê.

Napier aguardou na recepção por amargas cinco horas, sem ter qualquer notícia da irmã. Já era madrugada quando uma enfermeira veio informá-lo do pior: tanto a mãe quanto a criança não haviam resistido e perderam a vida.

Durante dois longos meses Jack Napier não pensou em outra coisa a não ser vingar-se de Thomas Wayne, o médico cuja negligência fora responsável pela perda da irmã. Porém os tempos estavam difíceis e não desejava ir para a cadeia acusado de assassinato, já que até então roubara apenas para sobreviver.

Aos poucos um plano foi sendo construído em sua mente, e logo, cruzando diversas informações, encontrou a oportunidade perfeita. Consultando alguns colegas das ruas, Jack descobriu que Thomas, junto com a esposa e o filho, costumavam ir ao cinema todo sábado à noite. Estava mesmo disposto a levar a cabo sua desforra, porém não poderia ficar na cara que se tratava de uma emboscada para assassinar o médico.

Perambulando pelos becos de Gotham, Napier teve uma idéia. No dia seguinte convidou Joe Chill, antigo companheiro de pequenos furtos, para almoçar num restaurante no centro da cidade.

–       Eu estou falando, Joe, será o assalto perfeito! – argumentou o vingativo rapaz. – Thomas Wayne está montado na grana, conseguiremos dinheiro para o mês inteiro se o roubarmos!

–       Sei lá, Jack… – murmurou Chill, degustando uma colher de sopa. – Pode ser perigoso…

–       Que nada! Nós os pegaremos na saída do cinema, levaremos a carteira e as jóias e desapareceremos na noite antes que eles consigam perceber o que houve! Vamos lá, Joe, não seja covarde!

–       OK, Jack… Eu aceito.

No sábado seguinte, por volta das dez da noite, Jack e Joe aguardavam discretamente junto a um poste o fim do filme “Footlight Frenzy”, exibido no Monarch Theatre, centro de Gotham. As mãos de Napier chegavam a formigar. Vingaria sua irmã morta, sua alma seria lavada com o sangue de Thomas Wayne…

A apresentação terminou e Chill cutucou o parceiro. Chegara o momento. Os três membros da família saíram felizes do local, comendo pipoca e sorrindo. A dupla de assaltantes seguiram-nos a passos ligeiros, e acabaram entrando num beco entre as ruas Pearl e Phillips. Foi quando eles perceberam a presença dos bandidos. Tarde demais, todavia, pois já estavam encurralados.

Com um sorriso de cobiça no rosto, Joe avançou sobre a mulher, Martha Wayne, tentando arrancar-lhe o colar de pérolas. Thomas partiu para cima dele, agarrando-lhe o braço. Era o que Jack esperava. Ele tinha certeza de que o marido ia tentar reagir, e assim ganharia um motivo para disparar. Ainda oculto nas sombras, apertou o gatilho a primeira vez. O médico recebeu a bala no peito e caiu morto.

A esposa começou a gritar, e dominado pelo espírito da revanche, Napier atirou uma segunda vez, contra ela. Martha também tombou, enquanto as pérolas soltas de seu colar e grãos de pipoca se misturavam no chão da viela. Assustado, Joe olhou para o colega sem compreender. Por que diabos ele fizera aquilo?

Restava Bruce, filho do casal, que fizera aniversário no dia da morte da irmã de Jack e acabara involuntariamente sendo pivô de tudo aquilo. O atirador caminhou para fora da penumbra, revelando-lhe sua face. Sorrindo, apenas engatilhou o revólver e perguntou, contente por causar naquele menino o mesmo sentimento de perda que Thomas lhe infligira ao recusar-se a salvar a vida da jovem grávida:

–       Diga-me, garoto: você já dançou com o demônio sob a luz do luar?

A criança, semblante apavorado e confuso, nada respondeu. Nisso Chill já estava desesperado em dar o fora dali, e exclamou a Napier, afastando-se rapidamente pelo beco:

–       Vamos embora, cara!

O assassino pareceu não ouvir e Joe insistiu:

–       Vamos logo, Jack!

Por fim olhou para trás, abaixou a arma e disse ao pequeno Bruce, pouco antes de sumir nas trevas:

–       A gente se vê por aí, garoto!

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Batman não tinha palavras. Se re-vivenciar o assassinato dos pais já lhe causava grande dor, analisá-la sob aquele novo ângulo era motivo de sofrimento ainda maior. Jack Napier legara a ele a tristeza da perda e o desejo de vingança, eram mais parecidos do que sequer imaginara. Estavam unidos num círculo vicioso tornado cada vez mais intenso devido ao ódio mútuo. E, após tal revelação, ficava ainda mais difícil definir: quem criara quem primeiro?

–       Meu pai não teve culpa pela morte da sua irmã e seu sobrinho… – afirmou Bruce num murmúrio, fitando o chão. – É loucura pensar dessa forma! Você já perdeu a sanidade há muito tempo…

–       Sanidade? – riu Coringa. – Eu te digo uma coisa, morceguinho: a sanidade é apenas um véu que nos impede de enxergar o verdadeiro significado deste mundo: uma piada, uma piada de mau gosto!

–       Isto tem que acabar… E só será quando um de nós morrer!

–       Pois então, que a luta comece!

Logo após dizer isso, o criminoso surgiu subitamente atrás de Batman, armado com um pé-de-cabra. Ele tentou acertar o oponente na cabeça, mas o Morcego abaixou-se, retaliando com um chute na barriga de seu nêmesis. Atingido, Coringa recuou, em seguida investindo com socos. Um deles acertou dolorosamente o queixo de Wayne, que só então percebeu um soco-inglês em cada punho do adversário.

–       Seu covarde… – afirmou o herói.

–       Olha só quem fala!

Jack ergueu o pé-de-cabra para desferi-lo contra o justiceiro, errando duas vezes. Na terceira feriu-o nas costas, Batman chegando a cuspir sangue.

–       O dia de hoje será eternamente lembrado como o dia em que EU venci! – Coringa gritou.

Mesmo com a dor, Bruce ergueu-se e chutou o arquiinimigo no peito. Depois avançou mais uma vez para esmurrar-lhe a face, mas foi surpreendido quando seu braço foi segurado e violentamente quebrado num golpe veloz. Mal teve tempo para gemer e o palhaço já prosseguia com o ataque, atingindo-o certeiramente no abdômen com diversos pontapés.

–       Isto é para compensar nosso último combate, Batminho! Lembra, na torre da catedral?

O pé-de-cabra voltou a girar no ar, porém desta vez foi Batman quem agarrou o braço do adversário usando o seu que ainda estava ileso, apertando-o para que derrubasse a arma no chão. Surtiu efeito, e o Cruzado Encapuzado aproveitou para aplicar dois socos e um chute em seguida, todos acertando Coringa.

Mas a reação não tardou: o Príncipe-Palhaço do Crime tomou distância, impulso e jogou-se para cima do Cavaleiro das Trevas como um jogador de futebol-americano, empurrando-o vários metros à frente. O vigilante tentou se recobrar, e para seu infortúnio, Coringa concluiu a seqüência com um chute devastador. Caído no chão frio, Batman viu o meliante bater os sapatos com força, fazendo surgir uma lâmina afiada na ponta de cada um.

Gargalhando, ele desferiu o primeiro golpe com o pé, perfurando a armadura de Bruce e ferindo seu intestino. Muita dor, muita humilhação. O outro calçado também desceu para cortar sua carne, não atingindo o Morcego porque este foi mais ágil e rolou pelo concreto, escapando. Abaixado, girou com a capa visando as canelas do Coringa. O vilão saltou para evitar o ataque rasteiro, e logo depois aproveitou que Batman se levantava, novamente atirando seu corpo contra o dele. O protetor de Gotham City tornou a se deslocar alguns metros, e só então percebeu um certo calor atrás de si. Movendo a cabeça, comprovou algo aterrorizante: havia bem próximo deles, depois de uma pesada porta circular de ferro aberta, um grande forno industrial ligado, seu interior abafado e quente queimando como o mármore infernal.

–       Que gosto terá churrasquinho de morcego? – gritou o psicopata.

E, num chute do qual Bruce infelizmente não foi capaz de se esquivar, o cansaço e seus reflexos um tanto enferrujados devido à idade contribuindo para tal falha, Coringa empurrou o oponente para dentro do forno. Batman cambaleou e, quando se estabilizou de pé, sentiu-se como um bife fritando na grelha. A temperatura era insuportável, não conseguiria permanecer vivo por muito tempo. A sola de suas botas, apesar de reforçada, em breve começaria a derreter. Com a visão embaçada, ele conseguia observar o assassino dos pais de pé na entrada, rindo de sua desgraça. Não, ele não podia permanecer impune… Era preciso agir uma última vez.

Sentindo seu uniforme aos poucos se desintegrar, o Detetive das Sombras levou a mão direita ao cinto. Dele retirou um bat-rangue com corda, usado para agarrar meliantes. Coringa ainda gargalhava parado, sem nem perceber que Batman armara-se com alguma coisa. Este fez mira, mordeu os lábios ressecados… E lançou o artefato.

O projétil enrolou-se com perfeição ao redor do braço esquerdo do Príncipe-Palhaço do Crime. Assustado, tentou livrar-se de modo afobado, porém um forte puxão do justiceiro acabou por arrastá-lo também para dentro do forno. E o impulso tomado pelo criminoso afetou a grossa porta metálica, que lentamente foi se fechando… Até que um ruído confirmou o inevitável: agora Batman e Coringa estavam presos dentro daquele inferno artificial, sem chance de escapar. Ambos morreriam, ambos queimariam até torrar.

–       Eu posso morrer, mas você vem comigo! – rosnou o Cavaleiro das Trevas.

–       NÃO!!!

As vestes de Jack Napier começaram a arder em chamas. Aos gritos, sua pele alva passou a sofrer graves e dolorosas queimaduras. Seu sorriso deformado logo era puro tecido muscular, o fogo consumindo seu corpo como se não passasse de um boneco de cera. Por fim, caindo sobre a chapa incandescente, Coringa, num esforço derradeiro, arrastou sua carcaça flamejante até Batman e tentou agarrá-lo com um dos braços pretos como carvão, porém a vida abandonou-lhe antes que pudesse concluir o ato. Liberando um terrível cheiro de carne queimada, os restos do maníaco aos poucos foram sendo transformados em cinzas. O mais estranho era que, mesmo queimando, o crânio parecia continuar sorrindo, a expressão de cinismo e loucura constante até depois do fim.

–       Adeus, Coringa…

Para Batman o processo era mais lento, porém logo o fogo transpôs a roupa, sua pele ardendo e se desmanchando perante a fúria das chamas. Bruce não tinha mais nada a perder: Elizabeth morrera e Wilfred naquele momento já devia ter destruído a Bat-caverna, salvando seu segredo. Por isso, tudo que fez foi tentar se concentrar para não sentir tanta dor, já que a morte não tardaria em chegar. Julgava mesmo ser a melhor e única opção que possuía…

Mas, estando aquela história trágica tão perto do desfecho, Batman perguntou-se mais uma vez se de alguma forma ainda poderia alcançar a felicidade. Ele pensara que ela viria na forma de uma mulher com a qual constituiria família, entretanto agora tinha dúvidas. Será que poderia livrar-se de seu fardo de uma outra maneira? Existiria ainda uma mísera chance de seu coração purificar-se de tanto ódio e rancor?

Em meio ao calor destruidor, terminou por convencer-se que, naquele instante, sua felicidade seria morrer o mais rápido possível, e assim talvez encontrar repouso eterno no tão almejado além pregado pelas religiões. A parte mais profunda de sua consciência, porém, ainda insistia na existência de uma alternativa, e nesse impasse, o fogo tornava-se mais voraz e ameaçador.

Bruce apenas fechou os olhos e esperou…

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Trecho do diário de Richard Grayson, o Asa Noturna:

Eu até agora não acredito.

O aniversário de Gotham City é marcado por um dia nublado e triste. Ninguém festeja, o silêncio predomina. Nas ruas vazias a notícia se espalha pelos raros transeuntes. Alguns ficam chocados, outros apenas confirmam o que já esperavam…

Batman está morto.

Na TV, o comandante das Forças Armadas tomou para si o feito de ter livrado a cidade tanto do Coringa quanto do Cavaleiro das Trevas. Os Jokerz que ainda restaram pintaram morcegos nas faces e se re-nomearam “Batboys”, os “filhos do Batman”. Pela manhã, a polícia, numa coletiva de imprensa, revelou coisas interessantes. Primeiramente, aquela palhacinha que se suicidou nas Torres Gêmeas era uma psiquiatra chamada Harleen Quinzel. Assim como no passado a doutora Chase Meridian possuíra uma obsessão pelo Homem-Morcego, a doutora Quinzel era fascinada pelo Coringa e acabou se associando a ele, culminando numa morte trágica e em vão.

Em segundo lugar, durante a madrugada, uma viatura foi averiguar a Mansão Wayne, onde parecia ter havido uma explosão. Encontraram a residência totalmente destruída, certamente devido a um vazamento de gás, e o corpo do mordomo Wilfred Pennyworth, vítima de infarto.

Bruce conseguiu manter seu segredo até o fim…

Felizmente, existem ainda algumas pessoas sensatas em Gotham que fizeram questão de dar ao guardião da metrópole um funeral digno. Os supostos restos mortais de meu mentor foram transferidos para um túmulo no cemitério, sobre o qual há, além de uma cruz, o emblema de um morcego.

Havia pouca gente no sepultamento… Recordo-me de ter visto Selina Kyle, a antiga Mulher-Gato, chorando copiosamente junto a uma árvore. Aquele tal milionário de Star City, Oliver Queen, também marcou presença. Surpreendi-me ao ver ali Victor Fries, o ex-criminoso conhecido como Sr. Frio, ao lado de sua mulher Nora, recém-curada da Síndrome de McGregor graças às pesquisas financiadas pelas Indústrias Wayne. Isso me fez suspeitar que talvez Fries saiba que Bruce era o Batman…

Fora estes, encontravam-se na ocasião a jornalista Chloe Sullivan da GNN, aparentemente uma das pessoas mais abaladas com a morte do Cruzado Encapuzado, além de alguns outros discretos repórteres de jornais e canais de TV. Sem contar, é claro, eu mesmo, mãos metidas nos bolsos enquanto, calado, contemplava a lápide de Bruce totalmente incrédulo.

Como nenhum reverendo aceitou participar do funeral de um revanchista como Batman era, coube ao velho Queen dizer algumas palavras em nome do falecido, o qual ele parecia conhecer como poucos. Não sou capaz de reproduzi-las aqui devido à minha falha memória e à emoção que eu sentia no momento, porém recordo-me muito bem de uma frase: “Nós, seres ingratos e mesquinhos, fomos os verdadeiros assassinos do Cavaleiro das Trevas”. Eu concordo plenamente.

Assim que o caixão foi depositado no interior da sepultura, os presentes começaram a se retirar. Todavia, permaneci imóvel buscando compreender aquela realidade tão difícil de engolir, quando percebi que mais alguém ficara para trás. Era um repórter do Planeta Diário de Metropolis, vi pelo crachá que se chamava Clark Kent… O mais estranho era que ele fitava fixamente o jazigo, como se seu olhar pudesse de alguma forma penetrar dentro dele… De repente abriu um sorriso, contrastando completamente com a situação… Virou-se então para mim, deu uma piscadela e foi embora.

E eu fiquei sem entender nada.

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“Esta fanfic é dedicada a Bob Kane, Tim Burton, Joel Schumacher e Christopher Nolan”.

FIM

Luiz Fabrício de Oliveira Mendes – “Goldfield”.

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BATMAN RESIGNS – Os finais secretos:

Olá, caros leitores!

Esta história foi concluída… Mas, se você está curioso(a) para saber o que aconteceu com Bruce Wayne e também tomar conhecimento de alguns desdobramentos da trama, saiba que criei alguns finais secretos com esse fim.

Porém, nem tudo é de graça. Para acessar esses finais, será necessário solucionar alguns enigmas do Charada. Eles seguem logo abaixo, assim como um guia para acessar as páginas com os textos secretos.

Como acessar os finais:

Primeiro, copie o endereço abaixo no seu navegador de Internet:

http://geocities.yahoo.com.br/mendes_cb/

Depois, coloque na frente dele a resposta da charada que leva ao respectivo final. Por exemplo, vamos supor que a resposta seja “cachorro”. Então ela será inserida conforme o modelo:

http://geocities.yahoo.com.br/mendes_cb/cachorro

Se a resposta estiver correta, basta então teclar “Enter” e você será levado até um dos finais secretos.

As Charadas:

Charada #01 – Final Secreto #01

Sou ágil e esperto

Difícil de morrer

Se você me matar duas vezes

Ainda cinco eu vou ter

Quem sou eu?

Charada #02 – Final Secreto #02

Se serei ainda não sou

Se existirei ainda não existo

Mesmo assim, nas preocupações humanas

Eu eternamente persisto

Quem sou eu?

Charada #03 – Final Secreto #03

Eu resido dentro de cada homem

Convivendo ao lado do bem

Sou capaz de gerar ações monstruosas

Em nome daquilo que me convém

Quem sou eu?

Charada #04 – Final Secreto #04

As pessoas me buscam a vida inteira

Muitas não me encontrando

Elas acabam sempre se esquecendo

Que é no coração delas que estou morando

Quem sou eu?

Espero que apreciem os finais.

– O autor.

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