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Crítica: Watchmen, de Zack Snyder

PhotobucketI believe in Zack Snyder… Avaliar e comparar um filme-adaptação frente à obra adaptada, seja ela um livro ou uma história em quadrinhos, é uma tarefa desleal. Cada mídia é composta por características diferentes, e a forma com a qual o espectador interage com cada uma delas se dá de maneira diversa. Entretanto, falar de Watchmen (EUA/2009) sem tratar do gigantismo da Graphic Novel argumentada por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons dificilmente revelará o tamanho do desafio que o diretor Zack Snyder tomou para si.

Única HQ a figurar na lista dos 100 melhores romances do século XX da Revista Time, Watchmen era tida como uma obra “infilmável”. A abordagem madura e ao mesmo tempo paródica do mundo dos super-heróis, a história intrincada e recheada de adendos externos ao que é visto nas páginas quadriculadas, e as boas sacadas de Moore e Gibbons tornavam a transposição dos 12 fascículos da série para a tela grande um trabalho extremamente complicado. Assim, Snyder, um fã convicto de quadrinhos, recebeu a missão de filmar essa HQ tão amada em todo o mundo sem destruí-la.

PhotobucketA narrativa é cronologicamente situada mais ou menos na época do lançamento original da série, metade dos anos 80 e época de ouro dos quadrinhos adultos norte-americanos. É 1985, e o que nos é apresentado é uma espécie de universo alternativo: Os Estados Unidos venceram a Guerra do Vietnã e Richard Nixon ainda é o presidente. E nesse universo, heróis mascarados existem, e não são bem vistos nem pela população nem pelo governo. Ainda, a Guerra Fria está a um passo de se tornar um conflito de verdade, coroado por uma hecatombe nuclear; o único elemento que mantém o equilíbrio entre os EUA e a União Soviética é o Dr. Manhattan, alter-ego do físico Jon Osterman, que por descuido sofreu um acidente durante a condução de um experimento científico na década de 50 e terminou adquirindo poderes de controlar a matéria e muito mais. Não se engane, se você pensa que já viu essa história várias vezes, os clichês param por aí.

PhotobucketO problema é, como realizar um filme com menos de três horas, pois uma duração acima desta é proibitiva quando se almeja algum sucesso comercial, quando se dispõe de um material que facilmente daria uma fita de seis horas, ou mesmo uma trilogia? Isso sem despertar a ira dos fãs freaks… Snyder, de fato, conseguiu entregar um bom filme de ação/suspense, eliminando o que realmente não fosse estritamente necessário para a compreensão da história. O diretor também demonstrou colhões, mantendo a grande maioria das sequências de violência e desvirtuação moral, sempre muito bem executadas e elevando a classificação etária para 18 anos; ou seja, visualmente o filme é arrebatador, e bastante fiel ao universo desenhado.

A construção dos personagens, de forma geral, foi realizada com bastante cuidado; no entanto há extremos. Matthew Goode, o ator inglês que interpreta Ozymandias, simplesmente não funciona como o “homem mais inteligente do mundo”. Todo o carisma e magnetismo que envolve o personagem nos quadrinhos são perdidos na atuação fraca do britânico, cada vez que recita uma frase parece estar com a língua presa. No outro lado da balança, os dois melhores personagens da HQ foram caracterizados com esmero; são eles o Comediante (Jeffrey Dean Morgan, do seriado Supernatural) e Rorschach (Jackie Earle Haley). Não há como pensar em outro ator para dar vida ao anti-herói atormentado que é Rorschach que não seja Haley, simplesmente perfeito e exatamente como visto na Graphic Novel.

PhotobucketA tentativa de comprimir toda a série num tempo de exibição aceitável claramente trouxe problemas para ritmo de desenvolvimento do filme; e os malabarismos para tornar o epílogo verossímil se comparado com o final da HQ, porém sustentando a ideia central, fizeram com que a força do conto e a homenagem que Alan Moore presta aos seriados B antigos fossem, até certo ponto, dissolvidos. Estes pequenos problemas, de fato, são mais uma opinião pessoal; muitos fãs simplesmente desconsideram tais aspectos, até com alguma razão, uma vez que não chegam a atrapalhar seriamente o conjunto.

Watchmen foi uma das primeiras tentativas de jogar um ar de seriedade no mundo dos super-heróis, tornando um nicho dominado pelas aventuras infanto-juvenis um pouco mais calcado na realidade. Com isso em mente, os vigilantes de Snyder atingem não somente os fãs xiitas, mas também agradam os não-iniciados na odisséia Moore/Gibbons.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 5

Som: 5

Geral: 3.5

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

Photobucket

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7 Respostas

  1. Watchmen é um filme SUPERESTIMADO.

    Hahaha

    Agora uma coisa que tu falou sobre o diretor ter mantido a violência dos quadrinhos. Na verdade eu até acho que o Zack Snyder exagerou no filme. Aquela briga do Coruja e a Espectral contra assaltantes nos quadrinhos é bem menos sangrenta.

    Eu não gostei muito do filme, achei apenas interessante. Não necessariamente ruim.

    I believe in Peter Jackson

    xD

  2. bom eu gostei do filme e da analize, tuudo bem que não sou fam da serie mas, gostei do conteúdo do filme e realmente aquele ingles ficou horrivel no papel

  3. @Flyfish: rapaz, aquela hora em que o Rorschach abre a cabeça do cara com um facão é bizarra…

  4. Ahh, os personagens dariam ótimos Cosplays neste carnaval, bem que eu queria uma fantasia do Roschach pro Sala da Justiça desse ano…

  5. O Comediante é o cara! =p

    @Flyfish: Pô cara, aquela cena do assalto no beco foi leve. Comparado com as coisas que o Roscharch faz, eu acho que não alteraram no “balanceamento de violência” do filme não.

  6. Tive acesso ao “livro em quadinhos” se assim posso dizer, a historia muito boa, e como disse o Fábio é dificil transformar a obra em um roteiro com menos de 3 horas.

    Eu gosto muito desse tipo de historia tipo que trás o universo dos super hérois para nossa realidade. Recomendo a quem não leu ler, Watchman, Reino do Amanhã e Marvels.

  7. @Aiken

    Fiz questão de baixar o filme e o quadrinho só para fazer essa montagem:

    Essa é a cena que comentei. Mostrei algumas partes comparando a violência do filme com a dos quadrinhos. Sem mencionar que o filme conta com uns efeitos sonoros de ossos quebrando que deixa a coisa bem mais grotesca. Ah, e os slowmotions nas cenas com sangue escorrendo a lá 300! Hehehe

    No 300 isso funcionou legal. No Watchmen achei muito desnecessário.

    Não chega a ser uma crítica pesada, já que não me incomodo tanto com a violência, mas não tem como negar que o diretor exagerou no filme pô!

    Acho que Watchmen poderia muito bem seguir a linha de “violentice” do Batman Dark Knight. Iria ficar bem melhor.

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