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Crítica: Lunar, de Duncan Jones

PhotobucketRetornamos ao tema da ficção científica. Neste domingo se realizará mais uma edição do Oscar®, e dois filmes que abordam temas science-extreme estão entre os principais indicados (Avatar e Distrito 9), revelando que neste final dos anos 2000 este gênero cinematográfico e literário onde as ideias fervilham permanece em voga. Contudo, a ficção-científica rasteira, como a disseminada nos filmes de Michael Bay, continua sujando o nome das grandes obras, e é por isso que Lunar (Moon/EUA/2009), boa e inteligente fita que tem como pano de fundo uma possível ocupação humana no satélite terrestre, foi lançada no Brasil direto para DVD e blu-ray; ou seja, um bom filme que mais uma vez é desacreditado pelas pessoas que mandam no mundo das distribuidoras.

O filme do diretor estreante Duncan Jones, que é filho do multi-artista andrógino David Bowie, conta a história de Sam Bell (Sam Rockwell), que num futuro próximo é contratado como o único funcionário da empresa Lunar Industries, cujo ramo de atuação é minerar Hélio-3 do solo lunar, elemento que por vários anos tem provido nosso planeta com energia limpa e inesgotável, pelo menos em médio prazo. No final de seu contrato de três anos trabalhando na Lua, Sam já começa a sentir os efeitos da solidão e sofre com alucinações, o rapaz começa a ter visões de uma garota pela base lunar, onde habitam apenas o próprio Sam e um autômato projetado para auxiliar o humano nas tarefas diárias, Gerty. O robô é uma clara homenagem ao computador mais famoso do cinema, HAL9000, de 2001 – Uma Odisséia no Espaço, e é dublado por Kevin Spacey. É durante um desses delírios que Sam, distraído, acaba sofrendo um acidente que proporciona ao roteiro uma guinada forte e intrigante.

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De fato, o filme é uma grande compilação de homenagens a variadas obras da ficção-científica mundial, e quando todos acham que o robô Gerty está ali apenas para emular a máquina maléfica de 2001 boas surpresas surgem. Por sinal, o artifício que os roteiristas utilizam para demonstrar os estados de espírito da inteligência artificial é bem interessante e divertida. Os tributos, todavia, são apenas alguns dos elementos que compõem a atmosfera de Lunar. Após um primeiro ato monótono, o filme embarca no misto de drama e mistério bastante envolvente; e mesmo contando uma história de certo modo até previsível, Jones obtém sucesso. Grande parte do magnetismo da película reside na ótima atuação de Sam Rockwell, simplesmente cativante. Os momentos em que o autor tem que interpretar dois personagens diferentes, porém ligados pelo DNA, são executados com cuidado e destreza.

Chegamos a um ponto importante da análise de um filme que trata de fatos extraordinários, que são os efeitos visuais. Lunar pode ser considerado um filme de fantasia independente, uma vez que o orçamento foi da ordem de  5 milhões de dólares. Dito isso, é de se imaginar que a recriação do ambiente lunar ficasse bastante restringida. Claro, são nessas ocasiões que a criatividade se sobressai, praticamente todos os efeitos especiais vistos na tela foram implementados com o uso de maquetes, ou seja, um retorno às origens do cinema fantástico. Obviamente, não se pode esperar que algo como o realismo de Avatar seja mostrado, mas é muito bom ver que ainda é plausível a criação de universos inexistentes sem o emprego massivo de CGI.

Assim como ocorreu em Distrito 9, Lunar se estabelece como uma ficção futurista e em sintonia com o mundo desenvolvido por gênios como Isaac Asimov, Philip K. Dick e Arthur C. Clarke. Pena que seja uma vertente tão pouco explorada num nicho habitado majoritariamente por arrasa-quarteirões vazios e superficiais.Photobucket

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 3.5

Geral: 4

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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