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Tomo da Traça: O Macaco Peregrino

Olá leitores do Gaveteiro. Venho agora apresentar um dos meus personagens favoritos, em um dos melhores livros que já li. Apresentar apenas por modo de dizer, pois este velho macaco já é um antigo referencial para diversas obras de origem oriental, e que hoje em dia já permeia o ocidente de diversas formas.

Trata-se nada mais nada menos do que da obra de um grande poeta chinês do século XVI. O autor, de pouca informação biográfica, permanece misterioso, porém sua obra está fadada a eternidade. Conta sobre a viagem de um monge chinês, em forma de fábula, realizada em 629, quando na china o budismo estaria “deturpado”, forçando então os monges da religião a viajar à India em prol de uma formação genuína. Tal viagem era tratada como uma sentença de morte, dados os perigos extremos nos ermos, tanto pelos animais selvagens quanto pelos bandidos (homens selvagens, por assim dizer). Para dar fim a esta dura realidade dos budistas, o aclamado monge vai numa aventura para buscar as escrituras sagradas do budismo.

O livro é considerado um dos mais, senão o mais famoso épico chinês, dada sua referência infinita da rica cultura da China. Tudo é narrado por formas de símbolos e alegorias, que a primeira impressão, parecem absurdas e até surreais, e são, porém, carregadas de significados subjetivos, tudo voltado para os ensinamentos budistas e ensinando uma forma digna de um homem se portar.

Para acompanhar o monge, alguns personagens são inseridos na saga, como o mais famoso de todos, o Velho Rei Macaco, que possui um porrete mágico negro de botões dourados nas extremidades, que cresce à sua vontade. A nuvem voadora? Sim, ele faz isso diversas vezes durante o livro… Parece familiar? Pois bem, é este mesmo o personagem principal do livro. Embora o foco trate-se da viagem do monge, o Rei Macaco está do começo ao final do livro, mostrando em uma analogia completa todo o comportamento do ser humano em geral, inquieto e nunca satisfeito, desejando sempre mais do que pode e nunca levando desaforos pra casa. Não é à toa que obras ficaram famosas utilizando, no mínimo, referencias deste personagem. Nem preciso dizer que Dragon Ball é a mais famosa, não é? Mas One Piece também tem uma relação, assim como Naruto e todo o resto do cinema de artes marciais chinês.

Além do Macaco, Porcoso e Areioso são os outros personagens, bem como  uma grande seleção de divindades que os ajudam na jornada.  Tudo é narrado com humor e um forte sentimento de senso do dever, tanto para com o Céu quanto para a Terra, mostrando todas as piores situações de uma vida terrena que não há fuga, bem como as soluções adequadas para sobrepujá-las.

Infelizmente, ou felizmente, dependendo do ponto de vista e do tipo de leitor, a versão lançada no Brasil é de tradução da versão inglesa, que foi compilada pelo primeiro inglês estudioso da língua chinesa a ganhar o título de Cavaleiro pela Rainha da Inglaterra no século XVIII, Arthur Waley, que pôs em 400 páginas, cerca de 1500 do original. Segundo sua própria nota no começo do livro, foi uma atitude de “enxugar” o livro para deixá-lo menos complexo e de fácil discernimento, dado o enorme número de detalhes que o autor original inseriu. Então para ler a versão completa, só aprendendo Chinês antes.

Considero este como meu livro de cabeceira, onde costumo abrir periodicamente para ler uma passagem ou outra, e que, religiosamente, leio todos os anos, e olha que não sou religioso. Embora possua uma trama fortemente ligada ao Budismo, não é veiculado para um público restrito ou que queira aprender sobre a religião, mas que vale para todos que desejam uma leitura mais do que agradável e enriquecedora.

O MACACO PEREGRINO
Autor: Wu Ch’êng-ên
Editora: Horus
Número de Páginas: 512

4 Respostas

  1. Olha só! Nada se cria mesmo… E sempre achei que Akira Toriyama foi super criativo na criação de Dragon Ball justamente por ter esses elementos.

    Só falta agora existir algum livro milenar que já falava sobre encanadores que comem cogumelos!

  2. po sempre quis conhecer melhor essa história do rei macaco, que sempre aparece em alguns animes, very good

  3. Cara a cultura Oriental sempre surpreendendo os Ocidentais que acham que são o centro do mundo…Muito bom conhecer esse lado…e Segundo o livro de Joseph Campbell que estou lendo agora…O poder do Mito…o Mito transpõe fronteiras inimagináveis e se trabalhamos em pesquisa sobre determinados assuntos podemos perceber semelhanças em vários aspectos de várias culturas…Muito bom.

  4. caralho, até a nuvem voadora eh copia?

    minha infancia esta indo abaixo.

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