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Crítica: O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella

PhotobucketNão é difícil justificar o Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira dado ao argentino O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos/2009/Argentina) em detrimento do favoritíssimo A Fita Branca. O hábil passeio entre diferentes gêneros cinematográficos funciona não como uma fórmula para atrair públicos diversos, mas revela a dispensabilidade de atribuir rótulos aos bons filmes. O prêmio máximo concedido ao filme do diretor Juan José Campanella consagra uma carreira iniciada perante o grande público com O Filho da Noiva (2001) e estabelecida com O Clube da Lua (2004), ambas as fitas com situações dramáticas dosadas com cuidado e pequenas e bem pensadas inserções humorísticas. Em O Segredo dos Seus Olhos não é diferente; há porém, um novo gênero adicionado ao caldeirão: o policial. A narrativa é temporalmente alternada, apresentando acontecimentos do final da década de 1990 acerca do personagem Benjamin Espósito (o mega ator argentino Ricardo Darín), oficial de justiça que após a aposentadoria resolve passar o tempo tentando escrever um romance quase autobiográfico, abordando um caso no qual trabalhou na década de 70, de uma jovem violentamente assassinada, e que na época o deixou obcecado.

O filme vai e vem sobre a linha temporal, indo a 1974, quando o citado crime acontece e Espósito conhece Irene Hastings (Soledad Villamil), juíza que chega na vara criminal para ser sua nova chefe, e também uma companheira de investigações. Só por essa rápida descrição do plot é possível prever o que espera o espectador: romance e suspense, sobretudo. Mas, como nos filmes anteriores de Campanella, temas batidos e que geralmente são abordados com descaso apenas para atrair o público comum são tratados com respeito, resultando num ótimo filme de suspense, quando este é necessário; uma história de amor sem pieguices e que leva o espectador à identificação quase que imediata; e que ainda faz rir sem cortar as outras sensações.

PhotobucketFato: o ótimo roteiro é orbitado pelo trabalho fenomenal do elenco. Darín reforça mais uma vez que a condição de astro é calcada acima de tudo pela aptidão e a excelência. Soledad Villamil cativa com sua personagem pela atuação simples, mas consistente, tornando Irene uma mulher muito bonita, não exclusivamente pela beleza física, mas principalmente pela altivez imposta. Não se pode esquecer ainda de Guillermo Frencella, que interpreta o amigo alcoólatra de Espósito; personagem genialmente conduzido que hora tem o papel de alívio cômico, hora opera como um conselheiro das coisas simples.

Repito a partir de agora uma comparação que sempre faço entre as indústrias cinematográficas brasileira e a do nosso país irmão. Tecnicamente, os filmes argentinos (os de Campanella especialmente) atingiram um patamar de qualidade que poucos filmes nacionais conseguem alcançar; Cidade de Deus, por exemplo, é um filme quase perfeito em termos de execução, mas é um exemplar quase solitário. A reconstrução dos ambientes da década de 70 no filme de Campanella ajuda o cinéfilo a mergulhar de vez na narrativa; entretanto, há uma passagem no filme em particular de encher os olhos. PhotobucketTrata-se de um plano-sequência que leva o espectador de uma visão aérea do estádio do Racing Club de Buenos Aires hiper-lotado diretamente para o nível da arquibancada, deixando eufóricos não apenas aqueles que conjugam amor por cinema e futebol, mas qualquer um que aprecie cinema bem realizado.

Finalmente, enxergo apenas um problema. Com exceção do bom final encontrado para a história de Espósito, esperançoso, simples e sem arroubos típicos dos dramas românticos; o encerramento do arco de suspense quase põe um pé num ambiente fantástico e pouco verossímil, aspecto que agradou a muitos, mas que para mim não combinou direito com um filme tão legal.

Pergunto a vocês: seria o cinema argentino o melhor da América Latina, ou seriam apenas os filmes de Campanella que conseguem se sobressair? O cinema brasileiro um dia chegará à maturidade da indústria argentina? Vamos debater nos comentários, um forte abraço, e não deixe de visitar o blog favorito das traças cinéfilas, O Gaveteiro!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 5

Som: 4

Geral: 4.5

*Imagens: The Movie Picture Database

**Trailer:

Photobucket

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Uma resposta

  1. São os Hermanos Argentinos dando coro nos brasileiros hehehe.

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