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Crítica: Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton

A promessa de unir a história enigmática e lisérgica de Lewis Carroll com o trabalho de Tim Burton, um dos diretores mais excêntricos da atualidade, responsável por obras de estética sombria com histórias e personagens fantásticos, gerou durante meses uma enorme expectativa em cima da estréia de “Alice no País das Maravilhas” (Alice in Wonderland, EUA/Reino Unido, 2010). Ansiedade essa que, diga-se de passagem, ajudou empresas de cosméticos, brinquedos, vestuário e alimentos a faturarem um alto em cima de produtos inspirados nos personagens. Afinal, parecia o encontro perfeito. No dia 23 deste mês, finalmente, veio estreia, e por consequência, a sentença. Não, não há revolução ou genialidade na obra, e a Wonderland de Burton nem de longe é maravilhosa como era de se esperar. De todo modo, algumas situações e criaturas interessantes podem fazer valer a pena uma passadinha no cinema mais perto de casa para uma sessão sem maiores pretensões – e de preferência, pagando mais barato para ver no cinema convencional e não se aventurar no mundo do 3D. Mas, voltaremos a isso mais tarde.


A história de Lewwis Carrol versa sobre fantasia, rebeldia e crescimento. Sobre como uma criança lidou com o fantástico de um mundo que ela não conseguia compreender, e como ela, a imagem de uma minoria, poderia se insurgir contra o poder. A saída encontrada pelo diretor – que não fez uso dos textos de fato de Caroll, mas sim de um roteiro livre – para levar a esse mundo uma pessoa adulta, ou seja, alguém que já perdeu boa parte da capacidade de crer no que imagina, foi aproveitar uma crise de Alice, que, metaforicamente, está prestes a entrar no mundo adulto ao ser pedida em casamento por um lorde completamente aparvalhado. No momento em que ele está ajoelhado, pedindo a sua mão diante de uma multidão, ela avista o coelho branco,  sai corredo atrás dele e cai no buraco que a levará a Wonderland. E ao voltar ao mundo mágico que visitara na infância, e que hoje ela achava ser apenas um sonho, ela descobrirá que tem uma missão:  acabar com os desmandos da temida Rainha Vermelha.

Responsável por filmes como Sweeney Todd, Os Fantasmas se Divertem, Edward Mãos de Tesoura, Peixe Grande e A Noiva Cadáver, Burton ficou aquém das expectativas ao contar uma história na linha de sequências de aventura para adolescentes, a exemplo de Senhor dos Anéis ou Harry Potter – com direito a luta no final, quando se esperava dele um filme que fosse ao encontro do potencial fabuloso da história contada por Caroll. Por outro lado, essa característica deve acertar em cheio o gosto da faixa etária sub 20, o que talvez tenha sido, em parte, objetivo da Disney. Não chama a atenção nem mesmo a ambientação, que tem gosto de “poderia ter sido melhor”.

Como ponto alto do filme, destaque para Helena Bonham Carter, mulher do diretor, que interpreta a Rainha Vermelha. Com aquele cabeção em forma de coração, ela soube encarnar a personagem sádica que compreende ser apenas bajulada e temida – mas não amada – e cujo castelo é povoado de criaturas a quem ela submete e maltrata corriqueiramente, e claro, vez por outra corta a cabeça de algumas delas, só para não perder o costume. É naquilo que diz respeito a essa personagem que o diretor mostra um pouco da antiga forma, como por exemplo, o detalhe do fosso cheio de cadáveres que rodeia o seu castelo, que deixa claro a todos o que acontece a quem se insurge contra a Rainha. Quanto à protagonista, Mia Wasikowska, apresenta um trabalho totalmente inexpressivo e sem graça, mas é preciso que se diga que seu personagem também não ajuda muito. Ela perde espaço até para o Chapeleiro Maluco de Johnny Depp, ator fetiche de Burton que segue em interpretação correta, mas nada além disso. Surpresa, no entanto, com a Rainha Branca de Anne Hathaway, que parecia ser bastante insossa pelos trailers, mas acabou tomando um caminho mais engraçado que eu imaginava, justamente por brincar com o clichê da lady delicada e perfeita. Aqui cabe também um elogio aos figurinos e maquiagem do filme.

Mas, se de uma forma geral, gostei das criaturas que povoam Wonderland, tive uma grande decepção com o gato Risonho. Muito do que ele tinha de irônico desapareceu, e mesmo seu sorriso já não tem o mesmo ar de mistério. De todo o modo, ele participa de uma cena interessante ao lado do chapeleiro – que por sinal, não fôra ela, sua presença não faria a mínima diferença para a história.

Por fim, “Alice”, também desapontou aqueles que esperavam um espetáculo em 3D, e é impossível não cair na tentação de fazer comparações. O formato que “Avatar” teve o mérito de trazer para mais perto do grande público, vai em mau caminho se depender de Alice para se manter em alta. Talvez tirando umas duas ou três cenas, sendo a melhor delas a queda da protagonista no famoso buraco que a leva para Wonderland, o efeito é totalmente subutilizado. Embora com roteiro fraco e estética que (bem particularmente) não me agrada muito, é impossível não admitir que Cameron fez um trabalho excelente no uso do artifício, inserindo você de fato na história e garantindo diversão ao seu espectador que procura por aventura. Em Avatar, fiquei tonta várias vezes impressionada com algumas cenas ou me segurei na poltrona achando que ia cair. Em Alice, infelizmente, nenhuma surpresa – em todos os sentidos.

Trailer:

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11 Respostas

  1. Porque eu nunca leio uma critica de elogios? Uahuahuahaa
    Gostei da sua crítica Júlia, realmente o filme criou uma grande expectativa, talvez tenha sido isso que fez o filme não ser tão bom, pelo menos pra mim, quanto mais eu espero mais eu odeio o filme quando eu o vejo.
    Quanto aos personagens, faz tanto tempo que assisti ao desenho que não me recordo bem, mas não sei o porque eu já gostava do Cheshire( O Gato risonho), e acabei gostando mais, apesar dele não ser tão sacana como ele era, outro que me decepcionou foi o Chapeleiro, ele não me pareceu tão louco como eu lembrava. De resto gostei das atuações, os irmãos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum ficaram impecáveis, a Rainha Vermelha digamos substituiu a Rainha de Copas, que para quem não sabe Alice no País das Maravilhas é baseado em baralho, por isso do Valete e todas as cartas, já a sua continuação Alice Através do espelho mostra tanto a Rainha Branca e a Vermelha, retratando um jogue de xadrez.
    Não cheguei a assistir em 3D devido aos horários que tinham, e tive uma folga no trabalho acabei assistindo nos horários que tinham e infelizmente dublado( ODEIO CATARRENTOS QUE FICAM FALANDO NO FILME ). Mas eu gostei do filme e estou louco pra ve-lo novamente, apesar de não ter gostado de uma coisa ou outra, mas é claro que ele não ia conseguir agradar a todos, ainda mais depois de tanta expectativa, quem não esperava muito mais do que o filme mostrou, acho que o único filme que criou expectativa e superou foi The Dark Knight, de resto ainda tem muito que aprender sobre Marketing Viral.

    • Concordo com você, Raphael, expectativa quase sempre é um grande problema. A questão é que se esperava do filme uma grande obra e ele ficou aquém.

      Mas eu confesso que, apesar de adimitir todos os problemas, pessoalmente, gostei sim do filme =P

      Eu gostei daquele coelhinho descompensado, todo tremido, sabe? Ele era muito engraçado. A ratinha braba é ótima também. E tive a maior pena daquele sapinho, rapaz. =(

      Mas o gato não teve jeito, ele me pareceu um Garfield bestalhão.

      Beijos.

  2. Boa crítica, Júlia.

    Esse é um filme que mesmo com tanta gente falando mal aqui e ali, eu ainda tenho vontade de ver.

    Mas admito que a publicidade do filme focada no Johnny Depp me incomoda um pouco. Olha esse trailer. Dá a entender que diante de todos os problemas, o Chapeleiro chega pra salvar o dia.

    Quem ver o trailer, acha que é um filme mais sobre o Chapeleiro do que sobre a Alice.

  3. Assisti Alice a pouco tempo e tive a sensação de ser um filme que encanta mais pelos aspectos gráficos e pelo figurino do que pelo desenrolar da história em si. Apesar de ter seus bons momentos, os personagens estão mais “insosos” , a adaptação não ficou tão boa quanto era de se esperar e nem de longe o filme traz o mesmo brilho de clássicos do Burton, como Edward Mãos de Tesoura e Big Fish (um dos meus filmes prediletos) .

    Apesar de tudo, passados os primeiros momentos, fui deixando a crítica de lado, e vi que realmente dá para se divertir com o filme (mas, se quer genialidade, veja Avatar ;D).

  4. Fui ver ontem… Acabei gostando, já que tantas criticas que vejo por aí acabaram tirando um pouco da expectativa que eu tinha.

    Até o 3D que foi tão criticado, eu gostei. Em um dos momentos que aquele coelho maluco começa a arremeçar coisas nos outros, eu acheu que uma delas ia bater em mim… rs

    Gostei, mas não sei se verei de novo. Talvez mais uma vez, quem sabe…

  5. Nossa eu achei que a estória seria diferente algo mais adulto quem sabe… Afinal era Tim Burton e o estilo dark… Imaginei também grandes dialogos quase existenciasis huahauah, bem imaginei apenas. Nem a estética me chamou a atenção, o 3D então… Tinha horas que eu sentia que o cenário não entrava no ator e vice-versa, se é que vc me entende!

    Por fim deu até pra divertir, mas nada de impressionante em nenhum ponto! Achei mais bacana o clipe da Avril Lavigne http://www.youtube.com/watch?v=rZb8CnUzUOc&feature=fvst do que o filme.

    P.S.: A música é horrível e gritante xD, mas o clipe é bem acabado e tem umas analogias interessantes… Estaria mentindo se não dissesse que assisti o filme por também influência do clipe.

    Tim burton comanda eh no batmão antigo🙂. I love it!!

  6. Uma colocação que achei interessante, e que vi não sei bem em que discussão sobre “Alice” na tv, foi que esse filme deveria ter sido entregue a Guilermo del Toro, de “O Labirinto do Fauno”. Concordei total. Imagina a Wonderland dele? Vixe maria, eram pelo menos três dias sem dormir de medo das criaturas, hahahahahha.

    Diego, das duas ou três cenas que disse que tinha gostado em 3D, essa é um a delas. Adorei esse coelho. =)

    Beijos

    • Ah, com certeza! Se ver bem, o Labirinto do Fauno nada mais é que uma versão da história de Alice, só que com uma temática mais séria, envolvendo guerra, morte, etc.

  7. A trilha de Danny Elfman está legal?

  8. Elfman eh rei

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