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Crítica: Na Natureza Selvagem, de Sean Penn

Com  pouco mais de 20 anos, o americano Christopher McCandless terminou a faculdade ostentando um boletim brilhante. Na poupança, cerca de 25 mil dólares lhe garantiriam um início de vida profissional sem maiores dificuldades. Ser um típico cidadão americano bem-sucedido, formar uma família, ter reconhecimento social parecia o caminho mais óbvio para o jovem em questão. Mas não foi. Após a comemoração da formatura, em 1990, disse aos pais que viajaria para estudar. Depois de dois meses sem informações sobre o menino, eles descobrem que o filho sumira, e mais que isso, não queria ser encontrado. Christopher decidira viver longe da civilização e seu objetivo passou a ser chegar ao Alasca, onde queria morar sozinho, em meio à natureza. Abandonou seu carro, doou a poupança a uma ong e chegou a queimar algumas poucas cédulas que lhe restaram. Vagou dois anos pelos EUA. Durante toda a saga, ele faz uma espécie de diário, no qual registrou os pontos altos da aventura. Sim, esse homem de fato existiu, e foi por meio das suas anotações que escritor Jon Krakauer, em 1997, escreveu um livro sobre ele. É claro que essa história acabaria virando um filme, e por sorte, caiu nas mãos de Sean Penn, que a reconstruiu no belo “Na Natureza Selvagem” (Into the Wild, EUA, 2007).

Ao longo do seu caminho, McCandless esquece toda a vida passada, se dando, inclusive, um novo nome. Ele faz amigos, vive em florestas e também arruma alguns trabalhos temporários quando precisa conseguir mais algum dinheiro. Oriundo de uma família rica, mas criado sem amor e em meio a brigas homéricas, encontrou refúgio nos livros durante a infância e a adolescência. Seu périplo é pontuado pelos relatos de sua irmã, recurso bem usado no filme. As falas da garota ajudam a trazer à tona fatos do passado de McCandless, mostrando que ele sempre deu pistas de que não conseguiria viver em um mundo de regras impostas e numa família infeliz e hipócrita.

Só de ler a respeito, fica claro que esse é a típica obra cinematográfica que depende integralmente de seu protagonista. Este pode sustentar a obra ou destiná-la ao fracasso. Nesse caso, deu-se a primeira opção. Emile Hirsh mostrou talento e um bom trabalho na construção de um ser humano tão complexo. O personagem, ao mesmo tempo em que apresenta uma personalidade definida, carrega consigo um mistério insondável, que gera aquele tipo de incompreensão que leva a boas horas de reflexão ou conversas depois do filme.

Um dos méritos do filme é conseguir mostrar o protagonista como alguém que vai muito além de um mero maluco anti-social. Apesar do seu desejo de viver apenas em meio à natureza, ele constrói várias e lindas relações na sua jornada. Emocionantes as cenas em que o viajante conhece um idoso que foi um alcoólatra depois que perdeu mulher e filho. Ponto para Hal Holbrook, que fez um excelente trabalho como o velhinho solitário que cria um sentimento familiar em relação a McCandless.

Apenas como uma colocação, em alguns momentos, soou-me um pouco clichê a crítica à sociedade capitalista e à típica família americana – leia-se cenas de crianças assistindo a brigas dos pais, que se destratam das maneiras mais cruéis. No entanto, é preciso que se diga também que, para contar esta história, não há como fugir disso, e o diretor o fez da melhor maneira possível. Sean parece romancear um pouco o seu roteiro – principalmente o final, e se prepare para chorar – mas o fez muito bem, conduzindo o trabalho de maneira honesta e sensível.

A fotografia repleta de paisagens naturais é de encher os olhos e transmite uma paz tamanha – tudo bem, com exceção de algumas – que funciona quase que como argumento para entender a escolha de vida de McCandless. Sean soube explorar a beleza natural americana ao longo das suas estações do ano, revelando a beleza de elementos como neve, chuva, plantas, montanhas, flores e o que mais pudesse mostrar. A trilha sonora folk bem utilizada, e cantada por Eddie Vedder, deu o tom de solidão enfrentada pelo rapaz. “Na Natureza Selvagem” é uma boa oportunidade para se pensar sobre a busca de uma identidade e a necessidade de equilíbrio entre o ser e o ter – mas sem ser uma experiência chata ou cabeçóide.

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:


3 Respostas

  1. Legal Júlia

    Confesso que baixei esse filme quando era lançamento, mas não assisti.

    Tinha visto o trailer e me interessei por baixar. Porem depois disso não assisti o filme logo e me esqueci do que se tratava.

    Essa critica me despertou a curiosidade quem sabe eu o assista nesse fds.

  2. Julia sua critica me deu uma vontade enorme de ver o filme. Eu pensava que era mais um daqueles filmes “tocantes” da sessão da tarde. Coloquei na minha lista…bjocas

  3. Gente,

    Obrigada por tudo. Fiquei muito feliz de estar aqui nas Críticas de Sábado com vocês por algumas semanas. Escrever em um blog, de uma forma mais livre, foi uma experiência diferente para mim e bem mais frutífera do que eu poderia esperar. Amanhã – quer dizer, daqui a pouquinho – Fábio voltará ao seu lugar.

    =)

    Beijos para vocês.

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