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Crítica: Fúria de Titãs, de Louis Leterrier

Ainda não tenho definida uma opinião sobre a refilmagem de Fúria de Titãs (Clash of the Titans/EUA/2010). Em alguns momentos acho que o filme foi divertido, em outros a sensação de que a película foi realizada com desleixo surge. Além dos problemas inerentes que são esperados de um filme dirigido pelo francês Louis Leterrier (Carga Explosiva/O Incrível Hulk), a conversão às pressas de uma fita totalmente filmada em 2D para a projeção em terceira dimensão resultou no pior efeito de profundidade virtual visto desde o início do boom 3D. É concedido, novamente, caráter pop à diversificada e interessante mitologia grega; que serve apenas de motor para que cenas de ação de peso e mulheres bonitas desfilem na tela.

A história não é muito diferente daquela apresentada no filme original de 1981 e que despertou a paixão de tantas crianças da década de 80 pela tosquice, aspecto recorrente para quem acompanhou a Sessão da Tarde nessa época. No meio da insurgência dos homens contra os deuses gregos, estes liderados veladamente por Zeus (Liam Neeson); Perseus (Sam Worthington), um semideus que desconhece este fato, é levado por circunstâncias que fogem ao seu controle a tomar a frente na investida humana contra as deidades e contra as aspirações de caos de Hades, deus do Submundo.

Worthington, alçado pela mídia que se diz especializada de Hollywood à condição de mega-estrela, se mostra um ator com muito pouco conteúdo. Não é pelo fato de que Fúria de Titãs seja um arrasa-quarteirões sem grandes aspirações artísticas que o quesito atuação pode ser deixado de lado, basta observar o elenco de apoio que em geral é bastante competente. As limitações do ator australiano ficam bastante claras especialmente quando precisa recitar as falas menos óbvias, e o termo recitar é bem empregado aqui, Perseus parece um personagem de peça escolar. Os personagens femininos, com exceção da desenvolta Io (Gemma Arterton), estão ali apenas para enfeitar, infelizmente.
O cerne da análise, porém, deve ser focado nas características técnicas. Este ponto, particularmente, causa controvérsia; como pude observar pelos comentários na saída da sessão de cinema. De forma geral, os efeitos visuais são muito bem realizados, e chamo a atenção para a sequência de surgimento do monstro Kraken, cena esta que qualifica o filme para ser visto numa sala IMAX, as quais ainda existem em número bastante tímido no Brasil. A criação dos cenários, a maquiagem e a construção da mise-en-scène também funcionam bem, concedendo ao filme uma identidade visual moderna, porém ainda guardando um enlace com a obra original.

As cenas de ação principais aparecem carregadas por uma dicotomia. Há uma alternância entre bons momentos que realmente empolgam, onde o casamento entre trilha sonora e o que ocorre na tela é procedido com bastante cuidado; e situações onde os cortes rápidos adicionam ao filme um problema bastante evidente em um outro blockbuster: Transformers – A Vingança dos Derrotados. Ou seja, nestes momentos específicos, não se consegue visualizar ou focar o que está acontecendo, o que causa frustração. Este problema é incrementado por um erro fatal cometido pelos produtores do filme, a conversão do 2D para o 3D feita nas coxas. Como bem alertou James Cameron, que está convertendo seu Titanic para terceira dimensão há mais de um ano, o trabalho procedido em Fúria de Titãs se aproxima da cretinice. O principal elemento do 3D digital, a sensação de profundidade falsa, é inexistente, bem como não há nada voando para fora da tela. Além disso, a conversão porca tornou os personagens em muitas ocasiões desfocados, a sensação é que estamos vendo o filme dentro de uma casa de espelhos de um parque de diversões. Se puder ver em 2D, não pense duas vezes, o rombo financeiro causado por uma exibição em 3D não vale a pena.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 2.5

Som: 3

Geral: 2.5

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

5 Respostas

  1. E eu vou assistir amanhã! rs

    Bem, não tou esperando muita coisa. Estou indo só pra esparecer um pouco mesmo, então o que vier é lucro. É até mais provável que eu goste se eu não for com expectativas (que foi o que me ocorreu com Alice).

    Depois comento o que achei.

  2. Eu não tinha lido ainda quando baixei pra ver, e não gostei do que vi. E mesmo podendo ver de graça no cinema, não vou. Também não vejo nada de mais no Worthington. Abraços.

  3. Sou um dos que pode assistir a primeira versão na sessão da tarde. Filme que realmente gostava muito.

    Mas apesar de saber que tinha o mesmo conteudo, não sabia que se tratava de um remake, por não ter lido nada sobre o filme.

    Afirmo que essa critica me broxou e provavelmente eu não vá assistir no cinema.

    Porem é um filme que desperta a minha curiosidade por se tratar de um filme sobre mitologia grega, e ter um enredo já existente em filme, que me remete aos games da franquia God of War da Sony. Onde um spartano sai detonando quase todos os personagens da mitologia grega até derrotar Zeus.

    Percebo que God of War que eu pensava ter uma historia totalmente original apesar de ser ficticia em relação a mitologia grega que conhecemos, se molda numa mistura de Os 300 de Sparta + Clash of Titans. O que tornou a historia muito legal.

    Enfim ainda to com muita vontade de assistir mas vou baixar na net ou comprar um piratão no centro.

    Xeirundas gaveteiros

  4. Achei o filme meia boca, de fato. Não chega a ser desprezível… Como o próprio Fábio comentou, eu também me divertir em alguns momentos. A parte da Medusa ficou legal, claro que poderia ser melhor, mas ainda sim, achei uma boa sequência. O que me incomodou mesmo foi o roteiro escroto… Perseu fala “Não sou guerreiro, sou um pescador” e dois minutos depois o cara muda totalmente a postura, sem acontecer nada muito significante. Só faltou falar “Não sou pescador, sou guerreiro”.

    Ah, e achei a parte do Kraken meio broxante. =x

    Acho que daria uma nota 6 pra esse filme. Pra quem gosta de mitologia grega, ainda vale pela curiosidade.
    No mais, reforço o que o Fábio falou: Não vejam em 3D! Só faz cansar os olhos com um monte de coisa desfocada.

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