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Realidade Virtual: Pac Man

Há 30 anos, uma figurinha esganada e simpática promoveu uma revolução de cor e temática no mundo dos videogames, adquirindo posto de ícone pop. No dia 22 de maio de 1980 nascia o Pac-Man – aqui no Brasil também conhecido por Come-Come, criado pelo designer Toru Iwatani, da empresa japonesa Namco. Para compreender um pouco da quebra de paradigma que foi instituída pelo Pac Man naquela época, é importante voltar um pouco mais no tempo e compreender quando e como nasceu essa indústria.

Se toda forma de produção humana é um reflexão do seu momento histórico, os games não fogem à regra. Eles resultaram da tecnologia bélica gerada pela guerra fria –  simuladores de conflitos foram a semente da ideia do videogame. Foi de um aparelho usado para medir a diferença de potencial, o ociloscópio, que surgiu nos anos 50 o Tênis Para Dois, o primeiro jogo da história. O seu inventor trabalhava no projeto da bomba atômica e desenvolveu o brinquedinho, que era usado para relaxar no trabalho. Na década de 70, foi criado o primeiro console, o Magna Vox Odissey, trazendo outra dimensão para a televisão. E se o mundo vivia em estado de constante tensão por conta de uma guerra que nunca se concretizou, mas manteve a humanidade sob a signo do medo, ou por contas das imagens chocantes do Vietnan, era de se esperar que os primeiros jogos  tivessem como temas conflitos ou guerras espaciais, com direito a muitos tiros e explosões.

E é nesse cenário cinzento e sombrio que o Pac-Man vai fazer a sua revolução colorida. Se o medo da guerra fez surgir e norteou os temas de jogos até ali, mal a década de oitenta começou e ela já deu mostras que o mundo respirava novos ares após de tantos anos de tensão. Depois da luta feminista das décadas de 60 e 70, as mulheres estavam inseridas no mercado de trabalho e também se tornaram alvo desse lucrativo e divertido mercado. Foram 15 meses de pesquisas para que Toru Iwatani e sua equipe chegassem ao jogo, que eles ambicionavam que seria utilizado não só pelos homens, mas por toda a família. O grupo estudou várias referências do mundo feminino. Notou-se que as mulheres japonesas não dispensavam sobremesas após as refeições e que comida seria um bom tema para o projeto. Daí, a sacada final veio – como quase sempre – sem querer. Ao sair com sua equipe para comer,  Iwatani pediu uma pizza. Ao retirar o primeiro pedaço… Tá-dá!!!! Lá estava seu personagem, uma grande e flutuante cabeça amarela de boca aberta!!! A partir desse insight a equipe desenvolveu todo o resto do game e os antagonistas da aventura, os fantasmas Blinky, Pinky, Inky e Clyde.

Estava criado aquele que é considerado até hoje o arcade ou fliperama de maior sucesso da história. Segundo dados do Guinness Book, o livro dos recordes, mais de 293 mil máquinas foram distribuídas entre 1981 e 1987 em todo o mundo. Nos seus primeiros 20 anos, a Namco estimou que Pac-Man foi jogado mais de 10 bilhões de vezes. Outra marco estabelecido pela equipe de  Iwatani é que pela primeira vez um jogo ganhou um  personagem de fato, um espécie de protagonista. O Pac Man foi uma das grandes  explosões do merchandising e por meio da sua imagem todo o tipo de produto de que se possa imaginar foi vendido.

E trinta anos depois, o comilão mostrou que quem é rei nunca perde a majestade por meio de uma “ajudinha” super-sacada do Google. A empresa aproveitou a data para fazer uma homenagem e, ao mesmo tempo, se reinventar. Das 12h do dia 21  às 12h do dia 23, a interface do game – com a lógica, os gráficos e os sons originais do Pac-Man – foi inserida nos logos comemorativos do buscador nos quais são colocadas imagens referentes a datas comemorativas e efemérides, espaço conhecido como Doodle. Nela, o Pac Man se empanturrava de comida pelos signos que compõem o nome da empresa. Bingo, mais uma das jogadas de mestre do Google!

Uma empresa de software chamada Rescue Time calculou que a média de tempo por visitas na página inicial do Google aumentou de 11 para 36 segundos durante as 48 horas em que o buscador ofereceu ao público o Pac Man. Segundo a empresa, o game consumiu dos usuários  da net 4,8 milhões de horas, que poderiam ser usadas para realizar tarefas do dia-a-dia ou profissionais. A partir desse dado, a mesma firma de pesquisa especula que foram deixados de acumular US$ 120 milhões em produtividade em todo o mundo, devido ao tempo gasto no joguinho.

O sucesso foi tamanho que a empresa resolveu criar uma página definitiva para seu Doodle de maior sucesso. Quer se divertir naquele intervalo chato do trabalho ou mesmo lesar na internet madrugada adentro como se não houvesse amanhã? É só acessar www.google.com/pacman. Foram disponibilizadas nada menos do que 256 fases de dificuldades e dá para brincar de dupla também. Basta jogar um pouquinho para entender por que esse game simples conquistou o mundo  e não larga o posto de ícone mesmo com o desenvolvimento de novas tecnologias. Há quem aposte que várias empresas irão bloquear a página nos seus sistemas muito em breve. Por enquanto, é só colocar a moeda.

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6 Respostas

  1. É por essas e outras que eu tenho a leve impressão de que o google rulez de world indiretamente. O Google é o quarto poder minha gente :).

    Brilhante texto!

  2. Vou te dizer que não acho Pac Man grande coisa. Tudo bem, reconheço a importância do amarelinho para o mundo dos games e à cultura pop de forma geral, mas acho que o jogo até hoje se alimenta do sucesso da década de 80.

    Fazendo um paralelo com Mario, por exemplo, notamos a diferença gritante na evolução de cada franquia.

  3. Aee… valeu Júlia, depois q vi todo mundo falando eu me arrependi porque olhei e n ãodei valor ao joguinho no Google. Agora matei a vontade =p
    Adorei seu texto! Parabéns!

  4. Também acho, Milton, o Google vai dominar o mundo – aliás, o meu ele já dominou há muito tempo. =)

    De fato, Diego, pelo que pude notar, você tem razão. O Pac-Man não se reinventou tecnicamente ao longo de sua existência. O mérito dele foi a inovação estética e temática do começo mesmo.

    Beijos a todos.

    =)

  5. Pensando nisso de o Google dominar o mundo, fui notar que eu uso ele pra praticamente tudo, só falta lavar e passar rsrsrs. Mas sério, eu nem digito mais endereço dos sites (mesmo os que eu sei de cor) é tudo no Google, e se tem outro buscador eu abro o Google do mesmo jeito. Acho que ele já me dominou também :s

    • Menina, toda a minha vida guardada no gmail. Fotos, documentos, emails de amigos, trabalhos acadêmicos, meu TCC, receitas culinárias, modelitos de roupas, arquivo de música – TUDO!!!!!!

      Também uso muito o google docs, passo dia todo no gchat e muitas vezes faço uso do gtalk.

      É tanta dependência que já me perguntei o que seria de mim se meu email desse qualquer tipo de problema. Gosto nem de pensar!!!

      Além, é claro, das dezenas de buscas durante o dia inteiro. Tava até pensando que hj uso muito menos o dicionário por causa dele – o que diga-se de passsagem, não é muito confiável 😛

      Beijos!

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