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Crítica: Esquadrão Classe A, de Joe Carnahan

Lembro muito pouco do seriado oitentista “Esquadrão Classe A”, que tratava de um grupo de ex-combatentes do Vietnã que são presos injustamente e se tornam mercenários, ou seja, ganham a vida para desempenhar o trabalho de milícias. Porém, pela reação do público na sala de cinema, a adaptação da série para a tela grande capitaneada pela Scott Free (dos irmãos Ridley e Tony Scott) neste ano de 2010 conseguiu não só agradar aos fãs, mas também atualizar o mote lançado há quase 30 anos. Esquadrão Classe A (The A-Team/EUA/2010) é beneficiado pelo avanço tecnológico em termos de efeitos visuais que os produtores da série não possuíam na década de 1980, e investe de forma pesada nas cenas de ação nonsense e absurdas.

Os planos escolhidos pelo diretor Joe Carnahan logo no início do filme entregam o que está à frente; tomadas elegantes e bem construídas lembram bastante a maneira de filmar de Michael Bay e de Steven Spielberg, esperamos então ação amalucada. E de fato, é o que os roteiristas nos dão. Simplesmente não dá para ver este tipo de filme ao lado de cine-chatos que reclamam de tudo e preferiam estar vendo um filme de Jean-Luc Godard. Ver Esquadrão Classe A requer desligar todo e qualquer senso de realidade, e mergulhar naquele universo como quando fazemos vendo um filme de fantasia. Se nem os responsáveis pelo filme levam o que acontece na tela a sério, por nós deveríamos? Ou seja, não há grandes ambições no filme de Carnahan além de divertir com cenas de ação insólitas e humor simples. Mas não quero dizer com isso que estamos diante de uma obra desleixada.

Durante a projeção, me ocorreu que The A-Team poderia muito bem ter sido dirigido por outra pessoa. Não, não é o já citado Michael Bay, e sim o tex-mex gentleman Robert Rodriguez. Cito o eterno colaborador de Tarantino pelo fato de que assim como na maioria dos filmes deste, em “Esquadrão” a falta de vontade em criar situações reais é tão grande que acaba por transformar a tosquice e o absurdo em cult. Conseguir realizar essa transposição pode parecer simples, mas muita gente termina permanecendo no besteirol e dali não sai. Além disso, ao contrário dos filmes de Bay, em “Esquadrão” há a tentativa de construir um fiapo de roteiro para guiar a história, o qual acaba funcionando bem e dá embasamento ao que realmente se deseja mostrar: perseguições, coisas explodindo e helicópteros dando piruetas. Na sessão em que assisti o filme, felizmente, a maioria da platéia entendeu o  recado.

O longa-metragem chega acompanhado de uma forte identidade visual. Mesmo quem nunca ouviu falar do seriado certamente já viu em algum lugar o personagem B.A., que era interpretado por Mr. T., e na versão cinematográfica ganha vida por meio do ex-lutador Quinton Jackson. A caracterização de B.A. é um grande acerto, há grandes semelhanças tanto físicas quanto de caráter entre o personagem dos anos 80 e o do filme. B.A., entre outras tarefas, banca o alívio cômico, assim como o personagem de Sharlto Copley (de Distrito 9). O humor, especificamente, é bastante simples e funciona bem, sendo bastante efetivo para diluir a trama de conspirações e tornar o filme leve. Difícil também é ver um Liam Neeson que não seja cativante, e o Col. Hannibal do ator irlandês é bem convincente; o vértice fraco, contudo, reside no personagem Cara-de-Pau, interpretado por Bradley Cooper. Experiente em comédias românticas, a pose de galã e a tentativa de ser engraçadinho acabam não combinando aqui.

Como blockbuster, Esquadrão Classe A atinge o sucesso, e levando em conta muitos dos filmes de verão americanos, apresenta-se num patamar um pouco mais elevado. O problema é que quase tudo hoje em dia não é uma ideia original; “Esquadrão” pode ter recebido ares de modernidade, todavia é uma adaptação de um seriado. Este ano tivemos ainda Homem de Ferro 2 (quadrinhos), Robin Hood (lenda) e Shrek 4 (continuação). Quando será que aparecerão arrasa-quarteirões sem medo de ousar e conquistar um público além daquela platéia certa que só consome produtos já bem estabelecidos?

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 3

Geral: 3

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

2 Respostas

  1. Eu tô a fim de ver esse filme. Me lembro bem pouco de esquadrão classe A, p/ ser bem sincera, só lembro do Mr. T…rs
    Concordo com vc, tb sinto falta de originalidade no cinema…

  2. Realmente esquadrão Classe A quase foge a minha lembrança.

    Acho que a ultima coisa que eu vi sobre eles foi uma satira em um episodio da Family Guy. Muito legal.

    Acho que como a Vivi a maioria das pessoas lembra do Mr. T que por sinal ficou muito bem caracterizado pelo Quinton Jackson.

    flw gaveteiros

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