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Crítica: Kick-Ass – Quebrando Tudo, de Matthew Vaughn

I can’t fly. But I can kick your ass. A tentativa de atribuir aos super-heróis cinematográficos características mais realistas data do final dos anos 90 e início dos anos 2000, vide, por exemplo, o remodelamento das aventuras do Batman proposto por Christopher Nolan e a adaptação de Watchmen por Zach Snyder. Kick-Ass – Quebrando Tudo (Kick-Ass/EUA/2010), a adaptação da obra dos quadrinistas Mark Millar e John Romita Jr., segue mais ou menos esta linha, porém investindo pesado na paródia e em toda e qualquer falta de apego e respeito às convenções sociais; surgindo como um filme que combina violência extrema com divertimento de primeira. Isso, claro, se você não for uma pessoa conservadora.

A alta censura dada no Brasil a Kick-Ass, 18 anos, tem razão de ser. Os primeiros trailers do filme indicavam uma aventura adolescente, fato que não se concretizou no produto final. O mundo colorido do filme ganha vida pelo personagem Dave Lizewski (Aaron Johnson), fã de quadrinhos introvertido que lança uma ideia bastante estúpida: por que ninguém nunca tentou combater o crime nos mesmos moldes dos heróis dos comics, só que usando roupas ridículas e possuindo nenhum super poder? Dave põe em prática esse devaneio, fato que, assim como aconteceria no universo que eu e você transitamos, traz conseqüências desastrosas. Um acontecimento que em um noticiário policial seria algo desastroso e digno de pena é mostrado no filme de Matthew Vaughn sem rodeios e até com alguma pitada de humor, e conseguir fazer isso sem cair no mau gosto é uma tarefa complicada.

A ousadia de Kick-Ass reside então na linha tênue que separa a falta de tino em mostrar violência sem pudores, e apresentá-la como um fato irônico e carregado de humor, isso sem fazer explícita apologia ao emprego da brutalidade e torná-la um fato corriqueiro. O grande teste do filme é agradar platéias em sociedades estranhas, como a brasileira e a americana, onde a escrotidão e o conservadorismo andam lado a lado. No Brasil especialmente, onde a violência urbana é tema constante e interminável, conseguir divertir mostrando uma criança de onze anos explodindo a cabeça de um bandido com um tiro em meio a gargalhadas, sem nenhum compromisso com a instigação da reflexão (como o fez Cidade de Deus, por exemplo), é um mérito.

De fato, a interação do público com o filme é total. Claro, a combinação bem realizada entre o clima de aventura, a comédia, a forma como o personagem fraco e que enfrenta os mesmos dilemas que a gente e a superação ajudam muita na empatia. Mas, lá no fundo, o que vemos os heróis de Kick-Ass fazendo na tela é a concretização do que muitas vezes pensamos escondido ao ver um programa policial de uma grande cidade. Eles não tem a piedade e a compaixão de um Batman ou um Homem-Aranha; matam, esquartejam e atiram na cara dos bandidos sem dó e sem crise de consciência, mesmo que isso seja contra toda e qualquer concordata que a sociedade moderna lutou para atingir.

Tudo isto que foi dito está concentrado na personagem Hit Girl, interpretada pela ótima Chloë Moretz. Ver uma menina pequena, um ser aparentemente indefeso, simplesmente trucidando homens feitos com o único critério de que eles sejam bad-guys poderia provocar horror nos conservadores e bastiões da moralidade. Em Kick-Ass, é apenas muito legal, e visualmente interessante. O arrojo visual, especialmente nas criativas cenas de ação, ajuda a despistar o baixo orçamento do filme. Christopher Mintz-Plasse e Nicolas Cage ajudam a engrossar o elenco, este último bastante à vontade no personagem Big Daddy. Cage, por sinal, mantém um apreço por quadrinhos que flerta com o fanatismo, chegando ao ponto de batizar o filho com a alcunha de Kal-El.

Kick-Ass incita a violência? Talvez, se você acredita, por exemplo, que jogos de videogames violentos podem criar maníacos assassinos. Se você encara as diversas mídias com um mínimo de raciocício, vá ao cinema ver Kick-Ass e divirta-se sem medo de ser feliz, como uma boa traça cinéfila!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 4

Geral: 4

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

4 Respostas

  1. Esse eu tou querendo muito assistir!

    Mas me surpreendeu isso da violência. Como você falou, o trailer não dava a entender isso não. Censura 18 anos? Nossa, eu achava que ia ser uns 12 no máximo!

    FIquei mais curioso agora. Hehe

    Abraços.

    • O filme é violento sim, mas pra vc ter uma ideia, achei Watchmen mais forte nesse sentido. A parada da censura acho que tem a ver mais com ouras coisas, como cens de crianças matando gente, etc.

      • É tb acho que a censura seja relacionada a isso.

        Engraçado esse lance de censura. Lembrei do que aconteceu com o filme Miri and Zack make a porn. Que foi totalmente censurado pelas “cenas de sexo” que são bem leves.

        • Sim, não mostravam penetração, mas talvez aquelas paradas escatológicas tenham levantado a censura.

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