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Crítica: Toy Story 3, de Lee Unkrich

Hay un amigo en mi. Para quem viu o primeiro Toy Story (1995) com 11 anos de idade, assistir Toy Story 3 (EUA/2010) é um experiência no mínimo curiosa. Muito já se falou sobre a excelência dos filmes da Pixar, tanto tecnicamente quanto em termos de roteiro e cadência mesmo depois de ter sido adquirida pela Disney; sempre abordando temas que normalmente não habitam diretamente o universo infantil, como a importância da amizade, ecologia, estima pelo núcleo familiar, rejeição e a chegada da idade avançada. O fazia, contudo, sempre de maneira a atingir um espectro de idades largo, obviamente focando nas crianças. Toy Story 3 chega meio que subvertendo essa prática.
A animação, apesar da presença dos personagens divertidos de outrora, é claramente direcionada para um público mais maduro, abordando situações pesadas e até que podem causar confusão em crianças pequenas. Isso, de maneira alguma, é um defeito. A Pixar, surgida no departamento de animação da Lucasfilm e depois arrematada por Steve Jobs, goza de liberdade criativa dentro dos empreendimentos Disney, o que é muito bom. Nesta terceira parte, Andy, o dono de Woody, Buzz Lightyear e companhia limitada já está com 17 anos, e está prestes a ingressar na faculdade. Os temas abandono e fidelidade, sempre permeando toda a série, aparecem aqui com força. Andy precisa decidir o que fazer com os brinquedos, se vai doá-los ou guardá-los no sótão, deixando em stand-by as lembranças de uma infância recente que muitos na idade dele ignoram.
No meio desse tumulto recheado de encontros e desencontros os brinquedos acabam indo parar numa creche, ambiente que acaba se revelando não tão legal assim. A história de John Lasseter dosa com bastante acurácia as costumeiras gags, sempre investindo nas citações do mundo pop, com as passagens reflexivas e de tensão. As cenas protagonizadas pelo boneco Ken são hilárias, e os mais grandinhos podem notar alguma influência da série Frango-Robô, do Adult Swim. O que me impressiona mais é que não consigo lembrar-me de um filme que ultimamente tenha despertado em mim tantas reações diferentes e boas no cinema, algumas até fortes, e estamos falando de uma animação! Como diabos uma animação de bonecos pode nos tocar mais do que tantos filmes com gente de carne e osso? Isso revela, sem qualquer dúvida restante, o carinho e o cuidado que as pessoas que fazem a Pixar empregam em seus personagens; não há saídas fáceis para encerrar um filme, não há desleixo com o público.
A tensão e a carga emocional do terceiro ato são de arrasar. Se você nutre um mínimo de prezo por cinema bem feito, tem que pelo menos chegar perto de verter lágrimas nesta situação. De fato, esse apuro em levantar questões um pouco mais sérias acaba afastando uma parte importante do público, as crianças pequenas. Filhos de colegas meus revelaram certo desconforto com a possibilidade de rever o filme, especialmente devido ao personagem Lotso, um ursinho de pelúcia que comanda uma gangue de brinquedos na citada creche. Isto, meus caros, requer coragem, e peito para viabilizar uma boa ideia que no papel talvez não seja tão rentável.
Tecnicamente, o filme se aproxima da perfeição. As sequências noturnas na creche são de uma beleza embasbacante. Infelizmente, não há  ausência de problemas, e neste caso me refiro ao 3D. Em todos os filmes da Pixar lançados com esta tecnologia, nenhum até o momento conseguiu atingir patamares de qualidade condizentes com a fama da empresa no aspecto esmero. A sensação de profundidade é quase inexistente, e os efeitos de coisas voando para fora da tela também não chamam a atenção; e penso que não exista grande diferença em ver uma projeção em 2D ou 3D. A Blue Sky, de Carlos Saldanha, apresenta resultados bem mais convincentes quando se fala em terceira dimensão; e aparentemente o novo filme do estúdio, Rio, por mostrar uma história de aves, deve vir com efeitos agressivos.
Mais uma vez elogio aqui a dublagem brasileira dos filmes da Pixar. Muito bom que o estúdio Delart tenha mantido o mesmo time de dubladores nestes quinze anos de série, pelo menos para os personagens principais. Bom também que a sempre presente tentação de jogar “globais” para ocupar alguns papéis aqui não exista, Toy Story não precisa disso. O que seria escutar o Buzz Lightyear sem a voz do Guilherme Briggs, o Woody sem ser o Marco Ribeiro, e a Jessie por outra que não fosse a Mabel Cezar? Tanto é assim que pouca gente sabe quem são os dubladores originais do desenho, nos quais estão incluídos Tom Hanks e Joan Cusack.
Eu não podia esperar menos da última e terceira parte da série. Uma trilogia animada diferente, que antes de divertir, também faz com que quem entrou no cinema saia com algo a mais depois da sessão. Um filme que se fixa na nossa memória emotiva, assim como todos os grandes filmes, e constitui diversão obrigatória para todas as traças cinéfilas. Bom fim de semana!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4.5

Som: 5

Geral: 5

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

Uma resposta

  1. […] Crítica de Toy Story 3 (Por Fábio) […]

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