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Tomo da Traça: As Crônicas de Artur

Aqui no tomo eu já falei sobre vários livros de fantasia e ficção, o que faz com que pareça que são meus livros favoritos, ou pelo menos que é o estilo de livro que eu mais leio. Não é verdade. A maior parte dos livros que eu li, e os meus preferidos, são os de ficção histórica. Hoje falarei do maior sucesso de Bernard Cornwell, no Brasil, – o autor que mais me tirou dinheiro entre todos – As Crônicas de Artur.


Provavelmente pela temática, a do lendário rei Artur, é que os livros fizeram sucesso aqui, e abriram caminho para vários outros livros dele. Porém, os três livros da série são os piores do autor, na minha opinião, publicados no Brasil. Maneira estranha de se começar a falar sobre um livro que você pretende que as pessoas leiam, mas é a verdade. Essa opinião não é só minha, é na verdade da maioria das pessoas que leram outras séries dele, com As Aventuras de Sharpe ou As Crônicas Saxônicas. Para quem leu os menos pops, talvez alguém diga que Stonehenge é pior, e talvez seja. No entanto talvez eu fale isso só pelo primeiro livro da trilogia, O Rei do Inverno*.

É triste ter que escrever isso, mas o início do livro é insuportável, depois, quando o Artur aparece, fica melhor, mas o início é o que te faz ler um livro, e o Cornwell pecou demais nesse. E por que ainda assim eu indico os livros? Porque a trilogia é boa. Claro que existem várias obras sobre Artur, e claro também que nenhuma delas é factual, apesar de todas dizerem que se baseiam nos fatos. Na própria nota histórica dos livros, Cornwell fala que quando começou a escrever, tinha se proposto a não escrever um livro cheio de anacronismos. Não conseguiu, porque a história de Artur simplesmente não ficaria boa sem Lancelot, Guinevere ou Merlin. Porque ela simplesmente não seria a história de Artur.

A história é ambientada na Inglaterra do século VI, pós-queda do Império Romano, quando as invasões saxônicas às ilhas da Britânia se acirraram. Ao contrário do que parece óbvio, o personagem principal da história não é o lendário rei, e sim um soldado dele, Derfel Cadarn (com pronúncia Dervel), um saxão que cresceu sob a tutela de Merlin. Sim, o Merlin das lendas, apesar de muito provavelmente não ter existido no mesmo tempo que Artur (se é que o próprio existiu), pois os primeiros registros de Merlin são de vários séculos depois da época em que Artur teria vivido. Isso também vale pra Guinevere e o Lancelot. O último sequer inglês seria, tendo aparecido pela primeira vez em versões francesas da lenda. Se alguém conhece o autor, sabe que ele odeia os franceses. Muito.

Apesar de ser uma história já batida, Cornwell conseguiu dar ares diferentes a ela. No segundo livro, O Inimigo de Deus*, principalmente, ele tenta mostrar o conflito entre a religião druídica, nativa da Britânia e o cristianismo, trazido pelos romanos. Além das invasões saxônicas a leste, do que seria a atual Irlanda à oeste e das próprias guerras internas no que hoje seria a Inglaterra, Gales e a Escócia.

A forma como a história do rei de Avalon é contada nos livros difere do comum, pois ela é narrada pelo personagem principal, o Derfel, o que faz parecer que seria um tipo de narrador observador, dando mais fidelidade e legitimidade a história de Artur do que se fosse em estilo de narrador personagem. É muito interessante como Bernard Cornwell reconta essas lendas, porque ele não tenta ser racional, os livros são cheios de magia, e os personagens convivem com ela, e não poderia ser diferente, aquela época era impregnada de superstição. Se até hoje nós batemos três vezes na madeira pra espantar algo que consideramos ruim, imaginem naquela época. Claro, uns sempre são mais ou menos supersticiosos que outros, mas a história não seria tão boa sem a parte da feitiçaria.

As lendárias ilhas de Avalon são citadas no último livro, Excalibur*, com um final, bem, sobre o qual não falarei pra não estragar a surpresa.

Bernard Cornwell nasceu em Londres, Inglaterra, em 1944. Seu pai era aviador canadense e sua mãe trabalhava na força aérea britânica. Foi adotado e cresceu em Essex, fugiu para universidade de Londres e se tornou professor, depois trabalhou na BBC, apaixonou-se por uma estadunidense e mudou-se com ela pros E.U.A, teve o pedido de Green Card negado, decidindo assim se tornar escritor, profissão na qual não precisava de autorização do governo. Vocês ouvirão falar mais dos livros dele aqui.

*Winter King (1995), Enemy of God (1996) e Excalibur (1997)

Uma resposta

  1. Adorei a resenha… direta e verdadeira… é assim amigo.. que se dar informação sobre filmes, livros… e tudo mais… um abraço..

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