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Tomo da Traça: O Imperador

Seguindo a linha da última resenha e adiando um pouco mais uma surpresa, falarei sobre outra série de ficção histórica: O Imperador. Os quatro livros de Conn Iggulden tentam recriar os maiores eventos da história do maior general romano de todos os tempos, Caio Júlio César.


Conn Iggulden é um autor e ex-professor britânico nascido em 1971, filho de uma irlandesa com um inglês, neto (por parte de mãe) de um shanachie – que significa “possuidor de conhecimentos antigos”, uma espécie de contador de histórias (mas não um bardo) irlandês. Iggulden estudou Inglês na Universidade de Londres, tornou-se professor e lecionou por 7 anos, até que abandonou o magistério para se dedicar exclusivamente a escrever, quando do sucesso do primeiro livro da série, Os Portões de Roma*.

No primeiro livro da série, a infância de Caio é descrita como ela poderia ter sido, afinal existem pouquíssimos registros dela, fazendo com que o primeiro livro seja o dos quatro, o mais fictício de todos. Porém sabe-se que Caio era da nobilitas, sobrinho por parte de pai de Mário, cônsul de Roma por várias vezes (passando por cima da lei das leis romanas), grande general e que promoveu diversas reformas no país. Mas acho que o mais interessante aqui é o seu envolvimento com Marco, seu melhor amigo, que cresce com ele e se torna seu melhor amigo, muito mais que um irmão. Ao final do livro os dois garotos estão crescidos, se tornam homens e entram para o exército, Marco se torna legionário na Grécia e Caio, que é nobre, serve em uma galera (embarcação), mas não tem menos aventuras que seu companheiro.

O segundo livro, A Morte dos Reis*, começa no mar Egeu, com Júlio liderando um ataque a um forte em Mitilene, durante uma das inúmeras rebeliões gregas pela independência. O ataque é bem sucedido apesar das adversidades e Júlio recebe uma coroa de louros, uma grande honraria, do pretor da cidade. Enquanto isso seu amigo Marco, agora chamado de Brutus, foge da Grécia após ter encontros noturnos com uma dama com um pai tradicional. Vários eventos fictícios ocorrem aqui, porém um fato histórico interessantíssimo ganha vida. Durante seu período servindo no mar, Júlio é capturado por piratas que pedem 20 talentos como resgate, Júlio sugere 50 (o que era realmente muito dinheiro), mesmo sabendo que isso causaria problemas para sua família. Depois do resgate pago, ele e os outros oficiais que serviam com ele na galera são deixados na costa da África, onde Júlio reúne uma tripulação para caçar os piratas. O que pode parecer loucura e impossível, mas que foi muito bem romanceado por Iggulden. E ele consegue. Após isso ele volta à Grécia, que estava em mais uma rebelião (sim, diferente da outra). Aqui, Iggulden, faz como muitos romancistas históricos, dá a seu personagem o crédito que é de outro (mas ele fala sobre isso na nota histórica). Porém, o que realmente aconteceu, é que Júlio conseguiu reunir duas coortes, um pequeno exército, para lutar contra os gregos.

Só que a melhor parte do livro ainda estava por vir: a rebelião de Espártaco. Apesar de não haver registros de que Júlio participou nas batalhas contra o “melhor homem que a história antiga tem pra mostrar”1, Iggulden o coloca mesmo assim, alegando que fazia sentido uma pessoa como Júlio, tribuno, senador e grande comandante militar participar das batalhas. Essa foi a maior rebelião de escravos da história de Roma, chegando o exército de Espártaco ter mais de 100 mil homens, derrotando 3 exércitos enviados contra eles, totalizando 8 legiões (de acordo com a nota do próprio livro), matando cidades inteiras – sem descriminar bebês e velhas indefesas de soldados. Não perco a oportunidade de recomendar o seriado Spartacus e Roma. A maneira como Iggulden descreve a sociedade romana pré-moral cristã é mais parecida com a do seriado Roma, Spartacus é muito mais sanguinolento e libidinoso. Apesar de que, pra pessoas que não conseguem entender que é possível existir sociedades diferentes da nossa, até mesmo a Roma de Iggulden e a do seriado Roma podem parecer absurdas.

Após isso, no terceiro livro, O Campo de Espadas*, César é mandado com sua legião, à futuramente lendária Décima para a Espanha, onde passa quase cinco anos monótonos. Perto do final de seu tempo na Espanha ele volta à Roma, se candidata a cônsul, é eleito, faz um trato com Pompeu e Crasso e vai para a Gália, onde durante 10 anos mata milhões para subjuga-la ao domínio romano. O livro conta as batalhas mais famosas de César, afinal, vocês podem imaginar que pra matar milhões foram necessárias muitas e que é impossível descreve-las em um único romance. Portanto é ainda mais inviável comentá-las aqui, porém destaco que César foi até à Britânia, e chegou atravessar o Reno e dar um pulo na Germânia. E que nada disso ele fez sozinho.

Na primeira parte do quarto e último livro, Os Deuses da Guerra*, é romanceada a guerra civil entre César e Pompeu. Aqui, novamente apesar das inúmeras adversidades, como centenas de vezes antes, César consegue vencer a guerra contra Pompeu na Farsália. Contudo, Pompeu foge para o Egito, e César vai atrás dele. Lá conhece Cleópatra e a ajuda a voltar ao poder. Tem um filho com ela (apesar de ter uma esposa e do fato de que talvez o filho não fosse dele) e volta pra Roma como o maior general de sua história, tem inúmeros triunfos, é altamente homenageado, apresenta seu filho no senado, tenta fazer que seu povo aceite Cleópatra, pra que seu filho se tornasse herdeiro de Roma e do Egito, sendo assim maior do que Alexandre, o maior ídolo de César.

Contudo, como já é sabido da maioria, isso não acontece, Gaius Julius Cæsar, Ditador Perpétuo, Imperador2, Deus Inconquistável, Divus Julius, conquistador da Gália e da Britânia, primeiro romano a ser deificado, que teve seu nome sinônimo de rei em diversas línguas, foi morto no teatro de Pompeu por outros senadores, que o viam como uma ameaça à República. A frase “Até tu, Brutus?” surgiu aí, quando César viu que até mesmo seu melhor amigo, Marco Brutus (como colocado por Iggulden) estava participando da conspiração, Iggulden coloca Brutus dando o golpe final. Historicamente o fim de César, como há de ser, tem muitas versões, com Plutarco e Suetônio, grandes historiadores romanos dizendo que ele não teria dito nada.

Não dei a devida atenção a vários personagens, como, por exemplo, o primeiro imperador, Otaviano Augusto, que era parente de Júlio, e que após sua morte assume seu nome como herdeiro legítimo, já que ele mata Ptolomeu Cesário, filho de César com Cleópatra. Alguns sites dizem que Iggulden escreveria um quinto livro, sobre as guerras civis subseqüentes à morte de César e a criação do Império, ele mesmo fala que talvez fosse escrever na nota histórica, mas não tem nada oficial no site do autor.

*The Gates of Rome (2003), The Death of Kings (2004), The Field of Swords (2004) e The Gods of War (2005)

1Dito por Karl Marx.

2César recebeu o título de Imperator, apesar de não ter sido Imperador.

3 Respostas

  1. Fala, Lucas!

    Os livros parecem interessantes, eu costumo me interessar por filmes e histórias de Roma. Tou até precisando ver esse seriado, Roma, que você comentou, que é muito elogiado por todos que assistem… Só acho que você soltou muitos spoilers no seu texto (sendo ficção ou história, mesmo).

    Abração

    • Falei só o que é história, afinal a história de César é bem conhecida e todo mundo sabe da história dele sendo esfaqueado e tal, e mesmo assim, num tem quase nada da história aí. É como o Iggulden disse, é inacreditável como alguém conseguiu fazer tanta coisa em tão pouco tempo xD

      Abraço

  2. po parece muito bom msm
    Vou por na minha lista

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