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Crítica: Scott Pilgrim Contra o Mundo, de Edgar Wright

COBERTURA DO FESTIVAL DO RIO 2010

MOSTRA PANORAMA DO CINEMA MUNDIAL

Digo logo: não conheço absolutamente nada dos quadrinhos que inspiraram Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. The World/EUA, Reino Unido, Canadá/2010). De uns dez anos para cá, quando teve início o surgimento das primeiras odes ao mundo nerd e este nicho de consumidores foi abarcado pela indústria de entretenimento, inúmeros foram os filmes/quadrinhos/seriados que começaram a incluir citações ao universo pop. Scott Pilgrim chega aos cinemas como uma overdose de cultura pop; um pouco de exagero é certo, mas atingindo em cheio os sentimentos nostálgicos de quem tem mais de 20 anos e não foi um completo alienado durante a infância e adolescência.

Alienado, neste texto específico, tem um significado especial. Se você não acompanhou a Sessão da Tarde nos tempos áureos desse programa, nunca ouviu falar do Atari ou Mega Drive, tampouco assistiu algum anime roots, cara traça, sinto dizer, você se enquadra no perfil da alienação. Scott Pilgrim é um filme com pré-requisitos, e para desfrutar da experiência na sua plenitude o espectador tem que ter tido contato com uma variedade considerável de cultura inútil. A história é o que menos importa aqui, e inserida num filme sem o arrojo pilgrimiano seria inócua. Scott Pilgrim (Michael Cera, uma vez mais com cara de tacho) é baixista de uma banda nem tão ruim para ser totalmente desprezada, nem tão boa para alcançar o sucesso, e no momento está namorando a garotinha de ascendência chinesa Knives Chau (Ellen Wong). A indecisão se apodera de nosso herói quando ele conhece Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead).

Scott tem um ataque de paixonite instantânea pela recém chegada, porém tem pena de terminar o pseudo-namoro com Chau. É durante o cerco à Ramona que começam a aparecer ex-namorados da garota, membros do grupo non-sense A Liga dos 7 Ex-Namorados. Pilgrim, se quiser namorar Ramona, deve derrotar todos os ex, um por um, como que passando pelas fases de Mortal Kombat. Só que sem os fatalities. Tudo, eu repito, tudo, é exagerado no filme. E é justamente isso que o torna legal e divertido, apesar da longa duração. Pela sessão do filme no Festival do Rio, lotada de fãs e cosplayers, parece que a exorbitância visual de Edgar Wright agradou. O que as lutas do filme tem de coreografia e CGI legais, tem de engraçadas; cada uma recheada de pequenas menções a vários jogos de videogame famosos, como Legend of Zelda, Sonic The Hedgehog, Super Mario Bros., e o já citado Mortal Kombat. Se você prestar atenção, já no logo da Universal Studios bem no comecinho, há talvez a homenagem mais sucinta e legal aos videogames de 8 e 16 bits já prestada por um diretor de cinema; muito maneiro.

O visual predominante, contudo, é o dos mangás e animes. Interessante com os olhos expressivos e grandes de Mary Elizabeth Winstead parecem ter sido feitos para uma adaptação de um seriado japonês. Toda essa salada russa de citações orbita a cereja do bolo do filme, que é o seu humor. Apesar de grande parte das piadas ser mesmo decorrente das sátiras à tradição pop, os momentos mais impagáveis são os quais onde o amigo gay de Pilgrim está em cena (Kieran Culkin) ou na avacalhação do mundo veganiano (!) simbolizada por um dos ex-namorados de Ramona – Todd Ingram (Brandon Routh).

Vejam, o filme não é perfeito. Quando chegamos à luta com o ex-namorado final, “o Chefão”, o filme já está beirando as duas horas, e a quantidade de luzes e cores berrantes já está começando a tornar tudo fastidioso. Mas isso não tira os méritos de um dos filmes mais divertidos do Festival, emparelhando com Machete na quantidade de risos arrancados e de interação do público com o filme. Não deixe de curtir com um monte amigos, sacão de pipoca, e uma mega garrafa de Coca-Cola (não estou ganhando nada por este merchandising!). Selo Gaveteiro de Qualidade!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 4

Geral: 4

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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