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Crítica Classic: Donnie Darko, de Richard Kelly

Ficção científica, críticas sociais mordazes e viagens no tempo; este é o temário básico em torno do qual orbita Donnie Darko (EUA/2001), filme independente composto por um elenco e uma equipe de produção diversificados, porém totalmente focados na apresentação de uma obra inteligente e que mescla elementos tão díspares que apenas o público de cinema não bitolado é capaz de assimilar o conjunto.

Lançado no início dos anos 2000, o filme do diretor Richard Kelly já congregava aspectos para aproveitar a iminente nostalgia oitentista que tomou conta desta última década. É 1988, e a confusa história do garoto Donnie Darko (Jake Gyllenhaal) é o guia para a criação de um conto complexo, mas cuja bandeira principal é apontar o dedo contra o engessamento do livre pensar, tão presente em sistemas de ensino mecanizados e pouco condizentes com a realidade daqueles que deveriam estar aprendendo e desenvolvendo coisas úteis, e contra a falência minguante das relações sócio-familiares americanas.

Então, temos Donnie Darko. Um garoto recluso no final da adolescência que sofre de alucinações e que possui um histórico de rebeldia. Na verdade, não sabemos se Donnie realmente é um esquizofrênico, dadas as bizarrices que vê e ouve (como um coelho gigante que dá ordens e diz que o mundo acabará dentro de um período de 30 dias), ou se o que se pensa ser um delírio é de fato uma característica preditiva que o personagem possui. É aí onde entram os elementos de ficção científica do filme, com direito a várias citações e tratados acerca da viabilidade física de viagens no tempo e debates rasteiros sobre relatividade e mecânica quântica. Certo, é uma obra de ficção, e só o fato do roteiro abordar tópicos insossos para o público em geral sem nenhuma formalidade, mas coerentes com o estabelecimento dos alicerces da história, já é um ponto positivo.

Então pequena traça, neste ponto você já deve ter percebido que Donnie Darko não é um filme ordinário. Por exemplo, não há dúvidas acerca do rótulo do ótimo filme da análise de ontem, [REC]2. Este é um filme de terror legítimo, e não há o que se discutir muito em cima disso. Como rotular, no entanto, um filme como Darko, onde a tudo o que já dito podem ser adicionados ainda rudimentos de filmes de terror e até comédia? Não há como, e essa é uma das graças da película. Apesar de deixar o espectador confuso com o surreal que é mostrado no aspecto geral, Kelly é bastante claro no que quer apresentar e criticar. O garoto do título, magistralmente interpretado por um Gyllenhaal em tempos de Jimmy Bolha, é agressivo e apresenta traços psicóticos; além de estar inserido em um núcleo familiar indiferente: a irmã Elisabeth (Maggie Gyllenhaal), apesar das tendências democratas, pouco se importa com o que acontece com outro; os pais (Holmes Osborne e Mary McDonnell) são inertes nas tentativas de ajudar Donnie, uma vez que não compreendem pelo que o filho passa.

Donnie, então, é a personificação da lógica versus idiotice. Seu feitio delinquente se levanta contra a moral vazia e oca, os absurdos e as incoerências das relações humanas, e acima de tudo, contra as regras sociais cegas e restritas por dogmas religiosos obtusos. O garoto se expressa, e age, como muitos de nós gostaríamos de ter feito em algum momento da vida, e isso é virtualmente libertador. Este caráter está bem explícito na cena onde Darko confronta um mago da auto-ajuda de sua cidade, interpretado por Patrick Swayze. O bom elenco conta ainda com participações de Jena Malone, Drew Barrymore (também produtora executiva do filme), Noah Wyle e Seth Rogen.

A salada russa de Donnie Darko simplesmente funciona. Pronto para agradar matizes diversos do espectro cinéfilo, o filme é acima de tudo cinema de qualidade, independente de tentativas frustradas de classificação. Também funciona como uma introdução à maneira de pensar do diretor Richard Kelly, que vem se apresentando como um forte candidato na criação de um cinema autoral com propriedade. Selo Gaveteiro de Qualidade!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 4

Geral: 4

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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Uma resposta

  1. Donnie Darko é mutio fodastico realmente, um filme para rever várias vezes. Seria legal se a critica se aprofundasse um pouco mais no complexo enredo do filme, aliás seu ponto alto.

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