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Crítica: Demônio, de John Erick Dowdle

O trailer do primeiro filme da trilogia The Night Chronicles, a qual será baseada em histórias concebidas pelo cineasta de origem indiana M. Night Shyamalan, fisga a atenção; não pelos efeitos visuais ou edição arrojada (tão empregada para enganar os freqüentadores de salas de cinema), mas pelo vislumbre de originalidade. Sim, digam o que quiserem, mas Shyamalan conseguiu estabelecer-se como um diretor autoral de filmes acerca do sobrenatural; bem, com um ou outro deslize durante a carreira, mas quase sempre buscando entreter com histórias novas e incomuns. A pedra fundamental de Demônio (Devil/2010/EUA) vai bem por aí, mas como M. Night apenas produz muito do viço que o filme poderia ter acaba se esvaindo.

O roteiro de Brian Nelson apresenta muitos dos elementos que permeiam toda a carreira do indiano. O primeiro é justamente a cidade onde Demônio se passa: Filadélfia. Em um arranha-céu no centro desta metrópole cinco pessoas ficam presas em um elevador. Quando fatos estranhos começam a acontecer, a maioria sem nenhuma explicação racional, um aspecto se apresenta claro: há um elemento sobrenatural inserido naquele pequeno cubículo.

Agora vejam pequenas traças, a idéia de um ser diabólico, literalmente, camuflado e confinado em um espaço minúsculo junto com um grupo de pessoas abre um leque de possibilidades. Perguntamo-nos, como será que o assunto será abordado? O potencial para se criar uma atmosfera tensa e carregada de terror existe e é bem palpável; mas aí surge o problema da realização. Como fazer isso sem apelar para os clichês e as saídas fáceis para resolver os percalços? E o pior, como matar alguém em um local tão pequeno e apertado sem revelar segredos antes do fim do filme? Meus caros, sinceramente, eu não sei responder. Mas isso não é trabalho meu, e sim das pessoas que ganham milhões de dólares para nos entreter por duas horas.

Shyamalan e Nelson conseguem vencer o desafio? Acho que não, e eu direi o porquê. A enxurrada de chavões logo no começo corta bastante da suspensão da crença que todo filme de fantasia obrigatoriamente deve ter. Somos logo apresentados a um policial que teve a família dizimada, ao subalterno de origem latina extremamente católico e afins. Isto é muito chato. Obviamente, se há um demônio ali dentro do elevador, ele não vai se esquecer de matar um por um os companheiros aprisionamento, e repetindo, como ele fará isso? Ora, da maneira mais prática possível, a luz se apaga e quando retorna há alguém morto. Shame on you… Novamente, não sei como se poderia fazer isso de forma criativa, mas lançar mão de truques baratos não é o Shyamalan que eu conheço de Sinais ou Corpo Fechado. Bem, talvez seja o de A Dama na Água…

Há acertos, porém. A sensação de terror não é totalmente diluída, o elenco desconhecido ajuda um pouco na gênese do medo – e de certa forma – a marca registrada do autor está presente também em Demônio, que é a busca pela solução do mistério que entremeia toda a projeção, obsessão de M. Night já muito criticada. Apesar de batido e já um tanto quanto cansativo, este artifício meio que mantém a platéia atenta ao que está sendo mostrado. E claro, Brian Nelson não poderia deixar de fora aquele velho joguinho de lançar pistas falsas toda hora para despistar… A introdução do filme, por outro lado, é bem interessante, composta por uma mescla de imagens aéreas invertidas da Filadélfia com jogadas de câmera bem parecidas com as de David Fincher.  Mas o que eu realmente procuro num filme de terror, o medo puro e simples, não consegui encontrar aqui; dessa forma, classifico Demônio como um filme de suspense, se é que rótulos são válidos.

Percebam que até agora não mencionei o diretor, John Erick Dowdle, totalmente eclipsado pela bagagem Shyamaliana. De fato, esperava um pouco mais do filme, mas para quem está acostumado com a escassez de filmes que tratem do sobrenatural levando em conta algum respeito para com o cinéfilo até que Demônio passa pelo crivo.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 3.5

Geral: 3

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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3 Respostas

  1. Tipo, o Roteiro É do Shaymalan? Ou apenas é baseado em idéias dele?

    Acho que se for só inspirado, não tem muito o que falar do pobre garoto indiano. O problema é que o sujeitinho já é alvo fácil da mídia e quando o nome dele aparece, todos os críticos já ficam de olho.

    Quanto ao filme, não me empolguei com a idéia… Acho que, como você falou, essa idéia só serve se os roteiristas realmente quiserem quebrar a cabeça pra fazer uma história dinâmica e envolvente. Demônio preso no elevador? Putz… Até acredito que essa história pode funcionar nas mãos certas, mas não consigo visualizar uma história interessante com isso.

  2. Apesar da crítica um pouco negativa do Fábio, fiquei curiosa assistindo o trailer, acho q vou baixar =p

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