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Crítica: Tron – O Legado, de Joseph Kosinski

Quando os primeiros trailers de Tron – O Legado (Tron Legacy/EUA/2010) começaram a ser exibidos nos cinemas, ainda em 2008, ficou claro que poucas pessoas sabiam que se tratava de um continuação. O título do filme de 2010 poderia muito bem ser empregado para traduzir a herança que Tron – Uma Odisséia Eletrônica (1982) deixou para a ficção-científica vindoura. São incontáveis as referências ao filme de 1982 que podem ser encontradas em sci-fis até bem recentes, e mesmo não sendo um grande filme, Tron pode ser considerado a pedra fundamental da computação gráfica no cinema. Bem semelhante ao primeiro, a continuação que aportou nas telonas quase 30 anos depois do original vem com sabor de ideias requentadas, mas funciona plenamente enquanto uma diversão de matinê.

Em torno de 30% do que Hollywood nos entrega hoje em dia está fortemente calcado na nostalgia. Mas, como apelar para despertar apelos nostálgicos de um filme que quase ninguém se lembra? Ainda mais quando boa parte das pessoas que frequentam salas de cinema (adolescentes e adultos jovens) nunca ouviu falar de Tron? A resposta, obviamente, reside na recente galinha dos ovos de ouro do pessoal de Los Angeles, o cinema 3D. O mote de Tron é mais do que propício para uma aventura em terceira dimensão, e as possibilidades de atualização do clássico filme da década de 80 são inúmeras. Estão aí os fundamentos para o filme de Joseph Kosinski, no qual Sam Flynn (Garrett Hedlund, de Eragon), filho do lendário programador de jogos de fliperama Kevin Flynn (Jeff Bridges, repetindo o papel de 1982), tenta descobrir o paradeiro de seu pai, desaparecido desde o final da década de 80.

Instigado por Alan Bradley (Bruce Boxleitner), programador que criou o personagem do título e amigo de seu pai, Sam vai ao antigo flipper de Kevin, e termina por adentrar o universo eletrônico/virtual desenvolvido pelo personagem de Bridges. Lá, descobre um ambiente similar ao mundo real, com um governo ditatorial e habitado por seres dotados de inteligência artificial avançada; fatos que segundo o próprio Kevin Flynn “mudariam a forma de se enxergar a vida”, o universo e tudo o mais… Mas não se podem esperar debates filosóficos densos; apesar de algumas boas sacadas, Tron – O Legado não vai além do que se espera de uma aventura juvenil.

A primeira diferença entre Tron e ficções mais cerebrais está na forma como o universo virtual é explorado. Enquanto no alvorecer do século XXI boas ficções científicas como A Origem ou Matrix investem na descoberta de planos virtuais a partir da mente (algo bem mais palpável e próximo do que ocorre em termos de neurociência), em Tron a porta para o mundo eletrônico se dá por uma espécie de tele-transporte, digamos, uma conversão analógico-digital de um ser humano por completo. Claro, agora o tele-transporte para dentro do computador acontece de forma bem mais elegante e igualmente mentecapta, mas sem o famoso raio laser picotador que engolia Jeff Bridges em A Odisséia Eletrônica.

Reclamam de barriga cheia aqueles que falam mal dos efeitos 3D do filme. Não é um 3D agressivo como muitos esperavam que fosse (igual ao de Avatar!), mais se encaixa muito bem dentro da trama e aparece nos momentos certos, especialmente na tão famosa sequência da corrida de motos, atualizada e bem dinâmica. Talvez a grande decepção, todavia, tenha sido o tão alardeado software de rejuvenescimento de Jeff Bridges, para a criação do personagem Clu, o ditador do mundo virtual que é a imagem e semelhança de Kevin. Tanto lenga-lenga para no final vermos apenas um boneco falante… Mas, um fato que me chamou a atenção foi que o universo eletrônico de Flynn permanece fechado sobre si mesmo, ou seja, na trama ele passou todo este tempo desconectado de qualquer rede. Fiquei bastante curioso para ver como seria se aquela cidade/mundo virtual fosse interligada a Internet, e as possibilidades de roteiro que poderiam surgir daí. Talvez, quem sabe, isso seja abordado em futuras continuações…

Tron – O Legado é nada mais do que uma boa diversão familiar. De fato, penso que essa meio continuação, meio refilmagem teve um objetivo bem claro de implementar efeitos em terceira dimensão para recontar uma história batida; e quem sabe fazer reviver o clássico de 82 (leia-se lucros).

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 5

Som: 5

Geral: 2.5

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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