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Tomo da Traça: Xamã

Para o primeiro tomo do ano, apresento a vocês o livro que foi o primeiro ganhador do prêmio de melhor ficção histórica, em 1993, concedido pela Sociedade Americana de Historiadores (o que não é pouca coisa, acreditem): Xamã, de Noah Gordon.

Xamã é considerado como o segundo livro da série/trilogia da família dos Cole (apesar de no livro não se encontrar registro disso). Porém, os livros não tem ligação direta um com o outro, a não ser um legado de família: o dom de prever a morte. Mesmo assim, cabe uma breve apresentação do que, com certeza, foi o livro que mais deu trabalho a Noah Gordon (e o que mais nos ensina) desde o foco do livro, que é a história da medicina, a outras culturas muito distantes temporal e fisicamente da nossa.

Em 1986 Noah Gordon publicou um livro chamado O Físico, no qual Rob. J. Cole (nome dado a todo primeiro filho da família), um menino inglês, do século XI, cristão (duh), vive uma epopéia em busca do seu sonho, ser médico. Não um médico qualquer, ele aprende que a maioria dos tratamentos usados pelos médicos ingleses são falsos, e que os remédios e tônicos que eles passam, também. Então, decide cruzar todo o mundo conhecido, se passar por um estudante judeu, para estudar na Pérsia, na maior Universidade de medicina de seu mundo, com um dos maiores médicos que o mundo já conheceu. A história narra toda a vida de Rob, de sua infância, sua viagem cruzando toda a Europa, seus estudos e vida na Pérsia, e, ainda, seu retorno.

Muito menor em tamanho é Xamã, e mais simples, por se passar nos Estados Unidos do século XIX, com uma cultura não tão distante assim. Dessa vez Noah Gordon nos apresenta outros dois Cole, pai e filho. O primeiro recém-chegado da Escócia, viaja pelos Estados Unidos de 1840 procurando por um lugar para se estabelecer, aprender, e pessoas que pudesse realmente ajudar enquanto médico. Nessa viagem Gordon mostra de forma muito interessante como era a vida dos imigrantes nos E.U.A, melhor seria dizer, pra maioria dos casos, como era sua sobrevivência. Juntamente a isto, viajamos pela história da medicina e sua difícil evolução, devido a praga que é o conservadorismo. Ao se estabelecer, formar uma família e uma clientela, também aprendemos sobre como os índios eram tratados, vemos disputas políticas, a fragilidade da “democracia” americana, a xenofobia de grande parte dos cidadãos. Claro, também vemos alegrias na vida de nosso protagonista, seus romances, a formação de sua família, o nascimento de seu primeiro filho, apelidado de Xamã. E, a partir daí, as duas histórias se juntam, até se separarem novamente.

É muito comum historiadores não gostarem de romances históricos, claro, muitos autores fazem malabarismos com a história, fugindo muito da “realidade”. Outro motivo seria porque as pessoas lêem romances históricos e saem por aí falando como se aquilo fosse história de fato. Permito-me adicionar também um terceiro: porque romancistas conseguem ganhar muito mais dinheiro com a história do que os próprios historiadores. Porém os livros de Noah Gordon são praticamente imaculados, a pesquisa que esse homem faz para escrever seus livros é hercúlea. Ele consegue não projetar sua sociedade e seus valores para seu objeto de estudo, o essencial em um trabalho histórico. O que é muito curioso, além de atípico, devido ao fato de que Gordon se formou em jornalismo.

Noah Gordon publicou vários livros, não só romances, artigos, textos, etc. Exerceu a profissão de jornalista durante muito tempo, trabalhou em vários jornais, foi alistado para invadir o Japão na Segunda Grande Guerra, mas teve “sorte” de não ter que ir, devido a invenção de uma nova arma, a Bomba Atômica. Se casou, teve vários filhos, e uma auto-foto-biografia sua pode ser encontrada em seu site oficial: http://www.noahgordonbooks.com/noahstory.htm

O terceiro livro da trilogia da família Cole chama-se A Escolha da Dra Cole, muito mais recente que os outros dois, que eu ainda não li. Todos os três foram publicados pela Rocco, e originalmente chamavam-se The Physician (1986), Shaman (1992) e Matters of Choice (1996), respectivamente. O primeiro livro, O Físico, ganhará um filme, que já está sendo produzido.

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Uma resposta

  1. Acabei descobrindo este autor por influência da minha avó, pois quando ela gosta ela compra todos os livros e depois me passa. Eu adoro romances históricos e os livros do Noah são muito bons, você se sente transportado para a época e acaba aprendendo muito dos costumes dos povos. No começo a história não conseguiu me prender muito, mas com o desenrolar fui ficando vidrada na e acabei lendo quase todos os livros dele.

    Parabéns pela crítica. 🙂

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